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04/06/2014

Brasil compensa sete vezes mais a emissão de gases durante a Copa

"A Copa começará neutralizada graças ao engajamento da sociedade", ressaltou Izabella Teixeira

A ministra e o representante da Usiminas: esforço por uma Copa "verde"
O Brasil compensou sete vezes mais do que o estimado para as emissões diretas de gases de efeito estufa geradas pela realização da Copa do Mundo FIFA 2014 no país. O anúncio dos dados ocorreu nesta terça-feira (03/06), no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Na ocasião, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, entregou o Selo Baixo Carbono aos representantes das 11 empresas que aderiram à Chamada Pública destinada a neutralizar as emissões causadas pelo Mundial.

Ao todo, foram compensadas 420,5 mil toneladas de gás carbônico equivalente (tCO2eq), unidade usada para medir a liberação de gases que interferem no aquecimento global. O número ultrapassa as 59,2 mil tCO2eq estimadas para atividades como obras, uso energético nos estádios e deslocamento de veículos oficiais. "A Copa começará neutralizada graças ao engajamento da sociedade", ressaltou a ministra. "Essa é uma agenda global construída numa perspectiva estruturante no planeta."

DOAÇÃO

Os números decorrem de ação alinhada entre o governo federal e a iniciativa privada. Em cumprimento ao Artigo 65 da Lei Geral da Copa, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) lançou, em abril, chamada pública às empresas brasileiras. Com isso, companhias de todo o país doaram e ainda podem doar Reduções Certificadas de Emissões (RCEs), os créditos de carbono, que são projetos de compensação de emissões certificados pelas Nações Unidas.

A compensação das emissões do Mundial não envolve recursos financeiros e representa um marco na política ambiental brasileira relacionada às emissões de gases de efeito estufa. De acordo com a ministra Izabella, ações de adaptação e mitigação das mudanças climáticas serão prioridade do governo federal. "Houve um enorme aprendizado", declarou. "É preciso transpor a Copa e fazer com que todos estejam engajados numa economia de baixo carbono."

O inventário coordenado pelo MMA estima que as emissões totais do Mundial cheguem a 1,406 milhão de tCO2eq. Do total, 87,1% vêm do transporte aéreo internacional e 9,2%, dos voos nacionais (emissões indiretas). O restante se divide entre hospedagem (1,8%), obras (0,5%) e operações (1,4%). Ao fim do campeonato, será concluído um inventário definitivo com a consolidação das emissões de gases de efeito estufa geradas pelo evento.

SAIBA MAIS

O Protocolo de Kyoto, acordo internacional com metas de redução de gases de efeito estufa para os países desenvolvidos, criou um mercado voltado para a criação de projetos de redução da emissão desses gases na atmosfera. Os projetos desenvolvidos no âmbito do MDL geram RCEs, também conhecidas como créditos de carbono.

A chamada pública do MMA busca empresas que queiram doar RCEs provenientes de projetos brasileiros aprovados pelo MDL. As RCEs doadas deverão ter sido canceladas das contas dos participantes de projetos para garantir que elas não sejam usadas futuramente para outros fins.

Apesar de considerado um fenômeno natural, o efeito estufa tem sido intensificado nas últimas décadas acarretando mudanças climáticas. Essas mudanças decorrem do aumento descontrolado das emissões de gases como o dióxido de carbono e o metano. A liberação dessas substâncias decorre de atividades humanas como o transporte, o desmatamento, a agricultura, a pecuária e a geração e consumo de energia.

Confira a lista das empresas que receberam o Selo Baixo Carbono:

- Aperam South America
- Arcelormittal Brasil
- Bunge Brasil
- Estre Ambiental S.A.
- Gerdau S.A.
- Rhodia – Uma Empresa Do Grupo Solvay
- Rima Industrial S.A.
- Sinobras – Siderúrgica Norte Brasil S/A
- Tractebel Energia S.A.
- Usiminas – Usinas Siderúrgicas De Minas Gerais S/A
- Vallourec Tubos Do Brasil S/A


Fonte: Ministério do Meio Ambiente - MMA



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