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29/08/2014

Áreas agrícolas da Mata Atlântica poderiam ser recuperadas por menos de 0,01% do PIB anual

Segundo estudo, quase 8 milhões de hectares teriam biodiversidade conservada com pagamento de US$ 200 milhões anuais a produtores

Foto ilustrativa. (Fonte: google)
Com menos de US$ 200 milhões por ano, o Brasil poderia restaurar a Mata Atlântica em propriedades agrícolas a ponto de recuperar 30% da cobertura florestal em 7,8 milhões de hectares do bioma. Essa porcentagem seria suficiente para manter, nas propriedades rurais, a biodiversidade e os serviços ambientais em níveis semelhantes aos encontrados em áreas de proteção. As conclusões são de um estudo internacional coordenado por cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e do Imperial College (Reino Unido) e publicado na edição desta sexta-feira, 29, na revista Science.

O artigo, resultado de quase 10 anos de estudos, determinou pela primeira vez o limiar da biodiversidade em áreas desmatadas na Mata Atlântica: quando a cobertura florestal fica abaixo dos 30%, há uma redução abrupta da diversidade biológica e dos serviços ecossistêmicos como produção de água, polinização, regulação do clima e controle de pragas.

Considerando esse limiar, os pesquisadores puderam calcular quanto seria preciso pagar aos proprietários rurais para que eles garantissem a conservação de áreas prioritárias. O levantamento dos dados, que envolveu mais de 100 pesquisadores, foi coordenado por Jean Paul Metzger, Renata Pardini e Marianna Dixo - todos da USP. A publicação na Science foi liderada por Cristina Banks-Leite, do Imperial College.

Segundo Metzger, com US$ 198 milhões - o equivalente a menos de 0,01% do PIB brasileiro - o País poderia pagar os proprietários para restaurarem cerca de 400 mil hectares de florestas em suas terras. Em conjunto com as áreas de florestas ainda intactas, essas extensões restauradas garantiriam a cobertura florestal acima dos 30% em uma área rural de 7,8 milhões de hectares. "É um investimento relativamente modesto, se levarmos em conta o benefício que traria para o País. Para se ter uma ideia, isso é equivalente a apenas 6,5% do que o Brasil já investe em subsídios agrícolas", disse Metzger.

A fim de avaliar os custos de restauração do mínimo de cobertura florestal, os cientistas combinaram estimativas de custos de restauração com o valor médio pago a proprietários de terra nos programas de Pagamento por Serviço Ambiental (PSA) existentes no país.

Os US$ 198 milhões de dólares incluem o valor do pagamento aos proprietários e o investimento na restauração ativa da floresta - que corresponde a cerca de três quartos do valor total. "Depois de três anos, a floresta passa a se regenerar sozinha e a restauração ativa não é mais necessária. A partir daí, o país gastaria apenas 0,0026% do PIB com o pagamento dos proprietários", afirmou o cientista.

Para colocar em prática a proposta, no entanto, seria preciso aplicar em grande escala os mecanismos de PSA existentes no Brasil, que hoje são iniciativas locais, com pouco impacto global na manutenção da Mata Atlântica. "O proprietário seria duplamente beneficiado, por receber o pagamento e por ter os serviços ambientais garantidos em sua propriedade. Mas o PSA se justifica neste caso, porque há um benefício para toda a sociedade", afirmou.

Segundo Cristina Banks-Leite, o estudo mostrou que o lucro médio por hectare em paisagens agrícolas da Mata Atlântica é de US$ 467. "Sai caro para os produtores deixar de lado parte de suas terras produtivas para conservação. Por isso pensamos em estratégias de PSA, que daria a eles um retorno financeiro", disse a pesquisadora. O PSA, segundo ela, não seria suficiente para igualar os lucros de plantações de cana-de-açúcar ou laranja, mas traria benefício econômico para para pequenos produtores, que muitas vezes têm prejuízos dependendo da balança comercial ou das mudanças climáticas.

A definição precisa de um limiar de cobertura florestal de 30% para preservar a biodiversidade e serviços ecossistêmicos foi a principal contribuição do estudo, segundo Metzger. "Conhecer esse limiar foi fundamental para que pudéssemos identificar situações nas quais fosse possível conciliar a conservação da biodiversidade e o benefício aos produtores, estimulando-os a contribuir com a restauração florestal", declarou.

De acordo com Renata Pardini, para determinar o limiar da biodiversidade no bioma, os pesquisadores coletaram, ao longo de quase uma década, dados sobre animais que vivem na floresta. "Registramos informações relativas a 25 mil indivíduos de 140 espécies de aves, 43 de mamíferos e 29 de anfíbios - um trabalho incrivelmente extenso", disse ela. Foram realizadas coletas de dados em 79 locais diferentes da floresta, ao longo de 150 quilômetros. Com esse trabalho, os cientistas puderam identificar 37 mil paisagens com diferentes graus de cobertura florestal. A partir daí, foi possível estabelecer o limiar de biodiversidade em 30%.

As áreas agrícolas recomendadas para a restauração por meio de PSA foram escolhidas entre as paisagens onde havia mais de 20% e menos de 30% de cobertura florestal. "Em áreas com cobertura abaixo de 20%, a restauração seria mais difícil e custosa. Mas as áreas com cobertura acima de 20% não estavam tão longe do limiar de biodiversidade. Elas representavam 400 mil hectares. Somadas às áreas já protegidas, resultariam em uma área de quase 8 milhões de hectares com cobertura acima dos 30%", explicou.

Segundo os pesquisadores, a Mata Atlântica cobria originalmente uma área de quase 150 milhões de hectares, hoje reduzida pelo desmatamento para 16 milhões de hectares. Mais de 130 milhões de pessoas vivem no bioma, que é considerado um dos mais importantes e ameaçados hotspots de biodiversidade no mundo, abrigando os únicos exemplares de quase dez mil espécies de plantas e mais espécies de aves que toda a Europa. Embora seja menor e mais degradada que a floresta Amazônica, a Mata Atlântica abriga uma vasta diversidade biológica e mais da metade das espécies de animais ameaçados do Brasil. Atualmente, fora das áreas protegidas, cerca de 90% do bioma tem menos do que 30% de cobertura florestal remanescente. 


Fonte: FÁBIO DE CASTRO, estadao.com.br



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Comentário(s) (1)


Jose Hess disse:

03/09/2014 às 17:09

Acho que nós temos de pensar no conjunto, somos hoje segundo o IBGE 202 milhões de habitantes daqui dez anos seremos talvez o dobro. Temos de ser estratégicos haverá área disponível para sustentar de comida a população e exportarmos para o mundo para continuar dando riqueza e sustentação econômica no meio rural? Nós possuímos em matas mais de 60% do Pais a maior concentração de floresta no mundo. Temos a maior área agricultável no mundo, portanto podemos plantar e colher de tudo. Será que ninguém vê uma estratégia internacional que nos desejam nos ver preservando tudo não podendo explorar as matas reflorestar pinus e eucaliptos, leis que vão impedir daqui para frente ampliarmos nossa área agrícola, quem tem interesse maior nisso?
Sempre que ocorre pesquisa de entidades brasileiras com pesquisadores internacionais, fico pensando qual o interesse por trás deles. Eles sabem de tudo do Brasil, nosso potencial e onde podemos chegar. Eles não tem mais espaço físico e não tem clima para competir conosco, então qual é a estratégia deles para nos segura? Simples infiltrar-se nos vários órgãos do governo, juntar-se às ONG´S e pesquisadores públicos sem compromisso com o desenvolvimento com ideologias comunistas e fictícias e entulhar de milhares de leis engessando totalmente o país. Quem ganhará com isso? Com certeza o Brasil e seu povo não são.

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