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04/01/2016

Sobre o El Niño, a bagunça no clima e a nossa parte nisso tudo

Foto: Google
O norte da Inglaterra está debaixo d´água (leia aqui, em inglês) , assim como várias cidades brasileiras no Rio Grande do Sul, onde as chuvas já deixaram 1,9  mil famílias fora de suas casas (leia aqui) . Nova York não teve neve este ano, e a tradicional foto das pessoas esquiando ao redor da árvore de Natal do Rockfeller Center não pôde ser tirada pelos turistas (veja aqui) . Aqui no Sudeste, chove em São Paulo e no Rio de Janeiro estamos fritando a temperaturas muito elevadas (leia aqui) . A ponto de um vizinho meu, dia desses, no elevador, comentar:
“Acho que nós vamos ter que desenvolver alguma forma de adaptação a altas temperaturas. Porque daqui para frente, vai ser isso e muito mais”.
Cientistas já haviam alertado: o efeito El Niño, fenômeno que esquenta o Oceano Pacífico, causará uma bagunça no clima este ano (leia aqui) . Não deu outra. A questão é saber quando os governantes vão começar a levar a sério esses informes e a tomar medidas realmente preventivas para tentar evitar que essas bagunças do clima tenham consequências sérias sobre a vida dos cidadãos. Até mesmo num país rico como a Inglaterra há milhares de pessoas sem casa  por conta das enchentes, de uma chuva jamais vista na região. David Cameron, o primeiro ministro, descreveu a situação como “sem precedentes”.
Mas, o que é estar preparado para uma grande enchente? Ou para uma seca torturante? Ou para tornados, como os que vêm acontecendo nos Estados Unidos agora, em pleno inverno, quando só são esperados na primavera? (leia aqui) .
Não há apenas uma solução para essas questões, mas várias. Primeiro, não é possível mais tapar olhos e ouvidos para os estudos e pesquisas que mostram o efeito causado pela liberação dos gases na atmosfera, quer seja pelos combustíveis fosseis, quer seja pela indústria. Assim,  a maioria das hipóteses que possam ser mencionadas como saídas para que a crise do clima não se agrave ainda mais até o fim do século têm a ver, sobretudo, com um modelo de desenvolvimento que não promova tanta destruição socioambiental. E não pode prescindir que a produção industrial leve em conta (e tente minimizar) os impactos que causa no meio ambiente, nas pessoas. Não dá mais para visar somente ao lucro.
 Quando escrevi essa última frase lembrei-me do livro “O lucro ou as pessoas”, de Noam Chomski (Ed. Bertrand), escrito pelo norte-americano em 1999, mas que só chegou ao Brasil em 2010.  Chomski, um ativista político que vem se tornando uma voz cada vez mais importante em prol da democracia e da igualdade social, critica severamente o Consenso de Washington nesse livro. Naquele ano, de 1989, no encontro ocorrido na capital dos Estados Unidos, economistas deliberaram uma série de recomendações com o objetivo principal de ampliar o movimento neoliberal (leia-se: com menos regulação do estado) na América Latina.
Já tinha ocorrido a Conferência de Estocolmo (1972), a Comissão Brundtland (1987) já tinha publicado o Relatório “Nosso Futuro Comum”, em que apresenta um novo olhar sobre o desenvolvimento, levando em conta novos padrões de produção e de consumo, mais conciliados, digamos, com as questões ambientais e sociais. Mas nada disso aparece no Consenso de Washington. Segundo Chomski, ali tratou-se de liberalizar o mercado e o sistema financeiro. E privatizar.
“Os ‘grandes arquitetos’ do Consenso de Washington são os senhores da economia privada, em geral empresas gigantescas que controlam a maior parte da economia internacional e têm meios de ditar a formulação de políticas e a estruturação do pensamento e da opinião... Foram muitas as experiências de desenvolvimento econômico na era moderna, com regularidades difíceis de ignorar. Uma delas é que os sujeitos da experiência costumam se sair muito bem, ao passo que os objetos quase sempre saem perdendo”, escreve Chomski.
E as produções industriais continuam, assim, a causar impactos gritantes na natureza e na vida humana. Há orçamento para inovações, mas esquecem-se da necessidade de ferramentas que evitem estragos.
 Um exemplo disso é a tragédia em Mariana, que no dia 5 de novembro lançou lama sobre uma bacia inteira, soterrou casas, acabou com o município de Bento Rodrigues, matou 17 pessoas. No dia 22 de dezembro, o resultado de uma avaliação independente feita pelo Greenpeace mostrou que a qualidade da água e de sedimentos na área afetada pela lama tem, sim, índices preocupantes de manganês, arsênio e chumbo (leia aqui) , ao contrário do que afirma a Samarco, empresa responsável.
Na tragédia de Mariana, um símbolo fica claro: tudo o que é demais, acaba vazando. Sobretudo quando não se distribui para outros compartimentos. E não é nem preciso dizer o quão ligado está esse desastre a questões ambientais que levam a mudanças climáticas.
 Assim também não é difícil entender por que os índios estão tão irritados com a obra da usina hidrelétrica de Belo Monte. Na visão deles, que ocupam seus territórios há mais tempo do que qualquer outro povo,  e que preservam mais do que extraem, poderiam dar sugestões, talvez até mesmo sobre outra maneira de construir a usina, que fosse de um jeito menos desgastante para todos. Mas os indígenas não se sentiram ouvidos por quem decidiu fazer o megaempreendimento que deslocou um rio, acabou com várias espécies de peixes, transtornou todo um ecossistema de uma das regiões antigamente mais preservadas.
 É a mesma queixa de vários povos ribeirinhos, quilombolas, pescadores artesanais. Serão os primeiros a sofrer os revezes das obras e pouco têm direito a dizer algo, a não ser sobre como querem ser ressarcidos do prejuízo. Há outros interesses em jogo e eles servem à maioria.
Para pressionar quem precisa se sentir pressionado contra Belo Monte, os movimentos socioambientais se uniram no início de dezembro e fizeram  uma canoada com o triste nome de “Bye Bye Xingu” (assista aqui ao vídeo)  . A usina está sendo chamada de “sentença de morte do Xingu”. Não é difícil entender porque, principalmente se olharmos outros exemplos, como mostra o documentário “5XChico – O velho e sua gente” (assista aqui ao trailer) e leia aqui. O Rio São Francisco não tem mais peixe para manter sua população ribeirinha porque decidiram usar a força de suas águas para construir nove usinas hidrelétricas.
 Será que era preciso tanto? Entendo que estamos vivendo hoje um tempo onde esse peso, essa medida, precisam ser recalculados. A Conferência de Paris (COP-21), que assinou um acordo climático histórico, numa visão bem otimista, pode ser o início dessa tomada de consciência. Não custa pensar coisas boas nesse tempo de comemorações.


Fonte: Globo Natureza



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