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23/08/2009

Corte de Gases Intensificadores do Efeito Estufa

Executivos que comandam empresas de ponta no Brasil vão se comprometer com cortes na emissão de gases-estufa. Os compromissos têm como base reduzir as emissões por tonelada de produção ou por unidade de faturamento. A atitude pioneira, que será apresentada ao ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, na terça-feira, indica não só a preocupação dos empresários com o aquecimento, mas com a encruzilhada entre as negociações de um tratado climático internacional e o comércio global.

Executivos que comandam empresas de ponta no Brasil vão se comprometer com cortes na emissão de gases-estufa. Os compromissos têm como base reduzir as emissões por tonelada de produção ou por unidade de faturamento. A atitude pioneira, que será apresentada ao ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, na terça-feira, indica não só a preocupação dos empresários com o aquecimento, mas com a encruzilhada entre as negociações de um tratado climático internacional e o comércio global.

Uma carta assinada pelos presidentes da Braskem e Vale, Suzano, VCP-Aracruz, Light e CPFL, Camargo Correa, Andrade Gutierrez e OAS, Natura, Cosan e outras, sinalizará as contribuições do empresariado para que o Brasil caminhe rumo à economia de baixo carbono. Um dos itens mais importantes é o compromisso de reduzir as emissões de gases-estufa e conseguir um "balanço líquido de emissões de CO2". Isto aconteceria através da redução na operação, na captura e sequestro de carbono ou no apoio à diminuição do desmatamento. "Cada empresa pode dar a sua contribuição buscando reduzir a intensidade de suas emissões, ou seja, diminuindo o volume de emissões de gases-estufa por unidade de produto", diz Bernardo Gradin, presidente da Braskem. "Para um país em crescimento como o Brasil, isso significa que em valores absolutos as empresas poderão emitir mais", continua.

 Soa como um paradoxo, mas a lógica é a do princípio das responsabilidades comuns, que o governo brasileiro defende nas negociações internacionais do clima - os países industrializados, que emitiram mais e por mais tempo, têm mais responsabilidade sobre o aumento da temperatura da Terra que os outros. "Esse crescimento, contudo, deve ser sustentável, ou seja, cada nova produção deve ser cada vez mais limpa", continua Gradin. A Braskem emitiu 7,6 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 2008, a um valor 8% menor que em 2006. A intensidade de emissões da empresa - um conceito novo que pode sinalizar, por exemplo, eficiência energética - foi de 0,796 tonelada de CO2 equivalente por tonelada de produto, um valor 2% menor que o de 2006. Há, aí, a sinalização de melhoria no processo produtivo. Segundo Gradin, a estratégia da Braskem é trabalhar com mais matérias-primas renováveis. Esta é a rota da inauguração, na Bahia, de uma fábrica de aditivo de gasolina que utiliza álcool ou o investimento em uma unidade que vai produzir polietileno "verde" em 2010.

Há também um estímulo menos verde e mais econômico no discurso destes empresários. O debate climático nos EUA, com a lei Waxman-Markey tramitando no Congresso e a possibilidade de a importação de produtos que emitem muito carbono serem taxados no futuro, acende uma luz amarela no comércio mundial. Uma súmula recente da Organização Mundial do Comércio dá recado similar, registra Luiz Claudio Castro, diretor de meio ambiente e desenvolvimento da Vale. "A riqueza do Brasil ainda é muito ligada aos movimentos de exportação", lembra. "Nesta iniciativa, o capital privado brasileiro quer dar certo conforto ao governo nas negociações internacionais do tratado do clima", prossegue. "O Brasil tem que dar um passo à frente no sentido de ter compromissos mais fortes de redução." Estas discussões entre empresas e governo no tema da mudança climática serão o eixo do seminário realizado pelo Valor e GloboNews, com apoio do Instituto Ethos, Fórum Amazônia Sustentável e Vale na terça-feira, dia 25.

"A cada dia tem mais compradores perguntando sobre a cadeia de produção, se os produtos são certificados, se temos ISO", diz Antonio Maciel Neto, presidente da Suzano Papel e Celulose. "Isso aí é bom para a Suzano porque estamos do lado certo." Na crise, o consumo de papel no mundo caiu entre 10% e 30%, dependendo do país. "Nós continuamos vendendo toda a nossa produção. Os clientes deram preferência - pelo mesmo preço, claro - para quem tem floresta plantada e certificação". "O Brasil tem tudo para se firmar como potência ambiental", continua, "mas a diplomacia brasileira "tem que jogar no ataque". Ele lembra que a China está com belas cartas na mão e, mesmo se emite muito, investe pesado em energias alternativas. O Brasil precisa atualizar logo o inventário de emissões do país e ter metas claras de redução. "Tem que sinalizar uma posição de super compromisso."

Desde as negociações do Protocolo de Kyoto o setor de papel e celulose procura influenciar as posições do governo em relação à inclusão de florestas no chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, o MDL. O lobby para conseguir créditos de carbono continua forte. O balanço de sequestro de carbono entre plantio e corte é positivo, garantem os empresários, mas os créditos são temporários. O temor é que a floresta que gerou créditos (e que permitiu a alguém emitir porque ela sequestraria carbono) não esteja mais lá no futuro. "Mas para uma empresa que está queimando carvão e passa a queima gás natural, vale. E quem garante que ela não voltará para o carvão se o preço baixar muito? É a mesma coisa", reage o empresário.


Fonte: Valor Econômico



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