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08/01/2018

China: Nova potência também no agronegócio

A agricultura na China passa por um processo de transição acelerada, resultado do empenho do seu Governo em garantir a segurança alimentar para cerca de 1,4 bilhão de habitantes, o que representa sete vezes a população brasileira. A China alimenta cerca de 20% da população mundial com apenas 7% de terras aráveis do planeta. O território chinês tem 9,6 milhões de km2 ou 960 milhões de hectares e aproximadamente 10% maior que o do Brasil.
 
Entretanto, apenas 10 a 15% ou 130 milhões de hectares têm aptidão agrícola. Hoje, a agricultura chinesa ocupa 110 milhões de hectares, com uma produção de mais de 500 milhões de toneladas de grãos e tubérculos, nos últimos 10 anos. Mais 20 milhões são utilizados para a produção animal ou proteínas nobres, o que agrega valores adicionais às matérias primas do agronegócio.
 
O rápido crescimento econômico dos últimos 30 anos retirou mais de 600 milhões de pessoas da pobreza, o que levou a grandes mudanças no padrão de consumo dessa nova classe chinesa. A China é o país maior consumidor de carnes e grãos, com um crescimento anual de aproximadamente 25% também no consumo de lácteos. Este crescimento exponencial na demanda levou a volumes elevados de importação de soja, como fonte de óleo e ração animal, bem como o crescimento do consumo de carnes e lácteos na China tem sido diretamente proporcional ao aumento da renda da população daquele País asiático. Em 2016, o PIB do agronegócio brasileiro foi de R$ 1,44 trilhão e o da China estimado em aproximadamente R$ 5 trilhões para 2017 (BIM Research).
 
Com recursos naturais escassos, a China priorizou a ciência, tecnologia e a inovação para enfrentar o grande desafio da segurança alimentar e do desenvolvimento sustentável das áreas rurais. Várias reestruturações foram realizadas nas questões agrárias, como o direito de uso e de leasing da terra, bem como nas indústrias estratégicas para o setor: sementes, biotecnologia e processamento. Além disso, houve considerável adoção de inovações tecnológicas no aumento da produtividade e no foco da produção sustentável dos alimentos para assegurar, como conceito e prática, a segurança alimentar, que é o grande desafio da agricultura chinesa e também inserida, como estratégia de governo, num mundo globalizante para tecnologias, produtos e serviços.
 
A China renovou suas políticas agrícolas, promoveu a maior diversificação da agricultura e tem investido em novos sistemas de irrigação e de cultivo protegido, estimado em três milhões de hectares, em especial nas culturas de maior valor agregado, como as frutas e hortaliças.  Com o objetivo de promover maior inserção do produtor rural no novo mundo digital, grandes investimentos são realizados na instalação de tecnologia 4G na zona rural, e treinamentos dos produtores rurais em tecnologias da informação, como banking online, compra e venda de produtos em plataformas digitais. 
 
Além disso, o Governo Chinês atua fortemente para promover maior inserção de suas estatais no mercado agrícola global, com o objetivo principal de assegurar o controle da produção dos alimentos e grãos a serem importados pelo País. Empresas chinesas que atuam no agronegócio, em especial a estatal China National Cereals, Oils and Foodstuffs Corp (COFCO), e a Hunan Dakang Intl Food & Agri Co Ltd, e a Hunan Dakang Pasture Farming Co Ltd. fizeram várias tentativas de aquisição de terras em outros países, especialmente na Austrália, Nova Zelândia, no Brasil, na Argentina, e em alguns países da África.
 
No Brasil, em 2013, a COFCO, que atua na área de agricultura e alimentos, adquiriu 51% das ações da NIDERA, empresa holandesa de grãos e sementes, com forte atuação no Brasil e na Argentina, bem como parte da NOBLE Trading. Em 2016, a COFCO assegurou a totalidade das ações tanto da NIDERA, quanto da NOBLE Trading, um passo significante para se tornar uma líder entre as traders agrícolas em nível mundial.
 
A China representa oportunidades ímpares para o agronegócio brasileiro. Sua população e o crescimento da renda demandam alimentos, principalmente grãos e carnes. No cenário interno, há ações fundamentais a serem executadas, tanto no âmbito político como empresarial. Destacam-se: manter um diálogo permanente de alto nível entre os Governos do Brasil e da China, para mitigação de eventuais conflitos; o Governo Brasileiro tem que definir objetivos e estratégias claras do que deseja com a cooperação com a China, a curto, médio e longo prazos; conhecer em profundidade a realidade das transformações em operação na política e na sociedade chinesas, no que se refere a oportunidades para o agronegócio brasileiro.
 
E mais, criar um Think Tank brasileiro para monitorar e elaborar estratégias de cooperação com a China; implementar a estratégia de Adidos Agrícolas na China, com espectro de especialistas mais amplo do que o dos fiscais federais; estimular a participação de empresas chinesas em setores do agronegócio brasileiro via capital investido em agroindústrias e em infraestrutura para escoamento da produção; cooperar no campo da ciência e tecnologia agropecuária, com os “Centros de Excelência da China,” pois a pesquisa conjunta, integrada e compartilhada cria laços de confiança que favorecem o comércio futuro e permitem o Brasil avançar em áreas de fronteira do conhecimento científico e tecnológico, da troca de saberes e experiências, e num mundo em que a única coisa permanente é a mudança.  Dezembro de 2017.
 


Fonte: Damares de Castro Monte, Daniela Biaggioni Lopes, Elisio Contini - Pesquisadores da Embrapa



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20/02/2018 às 00:36

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