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09/08/2010

Inpe detecta 243,7 km² de desmatamento em junho na Amazônia

Novo índice representa queda de 49% na devastação, diz ministra. Área equivale a cerca de 152 vezes o tamanho do Parque Ibirapuera.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectou desmatamento de 243,7 km² da floresta amazônica para o mês de junho, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (9). A área equivale a cerca de 152 vezes o tamanho do Parque Ibirapuera, em São Paulo, ou a pouco mais de 6 vezes o tamanho do Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro.

O anúncio dos novos dados foi feito na manhã desta segunda, em Brasília (DF), pelos ministérios de Meio Ambiente e de Ciência e Tecnologia. No encontro, a ministra de Meio Ambiente, Izabella Teixeira, ressaltou que o novo número representa a redução de 49% no desmatamento do bioma, comparando os dados acumulados de agosto de 2009 a junho de 2010 em aos do mesmo período no ano anterior, registrados pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter). O "ano-calendário" do desmatamento vai de agosto a julho.

"Os novos números sinalizam que existe uma tendência na queda do desmatamento", disse ela. Durante o encontro, o diretor do Inpe, Gilberto Câmara, afirmou que o desmatamento está se espalhando pela Amazônia. "Ele deixou de estar concentrado no chamado Arco do Desmatamento, como era nos anos 1990 e no início dos anos 2010. Mas é possível afirmar que existe tendência de queda", disse ele.


Segundo os novos dados do Inpe, junho é o mês com mais desmatamento detectado pelo sistema em 2010. A área identificada em junho representa mais do que o total dos meses de maio (109,6 km²), abril (52 km²) e março (52 km²) juntos, período em que foram identificados 213,6 km² de devastação. Nos meses de janeiro e fevereiro somados, o Inpe detectou 208,2 km² de devastação na Amazônia.

O estado que apresentou maior área de desmatamento registrado em junho foi o Pará, com 160,6 km². O Mato Grosso aparece como o segundo estado mais desmatado, com 36,5 km².

O instituto, sediado em São José dos Campos (SP), ressalta que em função da cobertura de nuvens variável de um mês para outro e, também, da resolução dos satélites, os dados do Deter não são uma medição exata do desmatamento mensal da floresta amazônica.

Em junho de 2010, por exemplo, 28% da Amazônia Legal esteve coberta por nuvens, impedindo a visualização por satélite. Nos casos de Amapá e Roraima, a cobertura de nuvens para junho passou dos 90%. Por isso, o Inpe não recomenda a comparação entre dados de diferentes meses e anos. Em junho de 2009, a cobertura de nuvens era de 43%.


Em operação desde 2004, o Deter foi criado para apoiar a fiscalização ambiental. Embora os dados sejam divulgados em relatórios mensais, seus resultados são enviados a cada quinzena ao Ibama, responsável por fiscalizar as áreas.

O sistema gera alertas para áreas de corte raso, quando os satélites detectam a completa retirada da floresta nativa, e para degradação progressiva, quando há destruição parcial da mata.

O Deter registra apenas focos com área maior que 250 mil metros quadrados, por conta da resolução dos sensores dos satélites. Além disso, devido à cobertura de nuvens, nem todos os desmatamentos com essa dimensão ou maiores são identificados.


Fonte: Globo Amazônia



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