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18/06/2012

Plataforma global para pesquisa em sustentabilidade é lançada na RIO+20

Com duração de dez anos, ?Future Earth? apoiará pesquisas que permitam responder aos desafios das mudanças ambientais e do desenvolvimento sustentável. FAPESP integrará os esforços mundiais Por Elton Alisson, do Rio de Janeiro Agência FAPESP

Foto: Google

 Uma plataforma global para pesquisa em sustentabilidade foi lançada durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (RIO+20), nesta quinta-feira (14/06), por uma aliança formada pelos principais agentes internacionais da ciência, agências de financiamento à pesquisa e organismos vinculados à Organização das Nações Unidas (ONU).
Denominada “Future Earth” (“Terra do futuro”), trata-se de uma iniciativa com duração de dez anos para apoiar pesquisas que resultem no conhecimento necessário para responder eficientemente aos impactos das mudanças ambientais globais. O lançamento foi feito no “Forum on Science, Technology and Innovation for Sustainable Development”, realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
A ideia é fornecer as bases que permitam sustentar a transformação em busca da sustentabilidade do planeta para as próximas décadas. Milhares de cientistas em todo o mundo serão mobilizados pela iniciativa, ao mesmo tempo em que serão estabelecidos acordos com governos, órgãos e instituições responsáveis pela adoção de políticas públicas de modo a oferecer opções e soluções de sustentabilidade pós-RIO+20.
Entre as metas da nova plataforma global estão a produção de pesquisas orientadas para soluções que integrem desafios em mudanças ambientais com o desenvolvimento sustentável, de modo a satisfazer as necessidades humanas por alimentos, água, energia e saúde.
Colaborações inter e transdisciplinares entre pesquisadores das mais diversas áreas do conhecimento científico e tecnológico serão efetuadas de modo a encontrar as melhores soluções para as principais questões em torno do futuro do planeta.
Outra proposta da plataforma é aumentar a capacidade de pesquisa em ciência, tecnologia e inovação, especialmente em países em desenvolvimento, bem como engajar a nova geração de cientistas.
A plataforma Future Earth é uma iniciativa conjunta do International Council for Science (ICSU), do International Social Science Council (ISSC), do Belmont Forum, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e da Universidade das Nações Unidas (UNU). A Organização Meteorológica Mundial (OMM) participa como observadora. Agências de fomento à pesquisa em todo o mundo integrarão os esforços da iniciativa.
“Precisamos de uma nova abordagem para enfrentar os desafios críticos das mudanças ambientais globais e do desenvolvimento sustentável que seja mais interdisciplinar, mais internacional, mais colaborativa e que responda melhor aos usuários das pesquisas”, disse Diana Liverman, codiretora do Instituto para o Meio Ambiente da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, e copresidente do grupo responsável pelo desenho da Future Earth na apresentação da iniciativa.
A iniciativa, que vem sendo planejada há três anos, deverá ajudar a responder questões fundamentais, entre as quais como e por que o ambiente global está mudando, além de vislumbrar desafios futuros e suas implicações para o bem-estar e para a sobrevivência do homem e das outras espécies.
Uma série de consultas para levantar os principais desafios em pesquisa nesse sentido será conduzida no segundo semestre de 2012 por meio de questionários on-line e workshops que serão realizados na Ásia, África, América Latina e Oriente Médio.
Alguns desses encontros, como um workshop sobre segurança alimentar e uso de energia, deverá ser realizado no segundo semestre deste ano.
Como membro do Belmont Forum – consórcio que reúne agências de financiamento à pesquisa de 13 países, além das da Comunidade Europeia – a FAPESP participará da iniciativa auxiliando na escolha dos temas das pesquisas, na elaboração das chamadas e na análise, seleção e cofinanciamento dos projetos. Cada projeto deverá ter a participação de pesquisadores de pelo menos três países.
“Um dos pontos fortes desta aliança é que ela congrega cientistas, usuários dos dados das pesquisas e as agências de fomento, que irão decidir pelo financiamento dos projetos. E algumas dessas agências de fomento estão reunidas no Belmont Forum, sendo que quatro delas são de países emergentes”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP e membro do Belmont Forum.
Brito Cruz destacou durante o lançamento da Future Earth no Rio de Janeiro que um dos objetivos da iniciativa é criar oportunidades para jovens pesquisadores se envolverem no desenvolvimento de pesquisas, e que muitas das agências de fomento à pesquisa participantes do projeto, como a FAPESP, já possuem programas voltados ao apoio de projetos realizados por jovens pesquisadores, que podem dar subsídios à iniciativa.
Yuan Tseh Lee, presidente do ICSU e ganhador do prêmio Nobel de Química de 1986, também presente na cerimômia, avaliou que, por meio de parcerias sólidas e abrangentes, a Future Earth irá conectar a pesquisa científica e o desenvolvimento de políticas e de ações, ampliando a interface entre ciência e políticas que apoiem a sustentabilidade.
“Estamos muito felizes em lançar essa iniciativa na RIO+20 que, afinal, é sobre caminhos para o futuro sustentável e a Future Earth representa um passo concreto nessa direção”, disse.
Alguns dos próximos passos que deverão ser dados para a concretização da iniciativa serão a criação de um conselho de governança e de um comitê científico, que deverá ser estabelecido em 2013.
Mais informações sobre a Future Earth: www.icsu.org/future-earth.


Fonte: Agência FAPESP



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