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18/02/2020

A GESTÃO COMPARTILHADA DOS RECURSOS HÍDRICOS

Poderia se aceitar, sem muito esforço dedutivo, que a água é fonte de vida humana, vegetal, animal, aquática nas águas doces e salgadas, fator econômico nos cenários de ofertas e demandas dos sistemas agrossilvipecuários, e estratégica no abastecimento domiciliar, indústria, comércio e serviços. Esse elemento natural, a água, base do ciclo hidrológico, que se renova há milhões de anos, é único e insubstituível.

A GESTÃO COMPARTILHADA DOS RECURSOS HÍDRICOS*
Poderia se aceitar, sem muito esforço dedutivo, que a água é fonte de vida humana, vegetal, animal, aquática nas águas doces e salgadas, fator econômico nos cenários de ofertas e demandas dos sistemas agrossilvipecuários, e estratégica no abastecimento domiciliar, indústria, comércio e serviços. Esse elemento natural, a água, base do ciclo hidrológico, que se renova há milhões de anos, é único e insubstituível.
O planeta Terra é formado por 2/3 de água, contidos nos mares e oceanos ainda pouco conhecidos, e cenários complexos, onde pesquisadores e cientistas, nessa marcha batida e irreversível da Ciência e Tecnologia, procuram desvendar os “mistérios” do mundo natural, como sempre instigantes e desafiadores!
Sem água não há alimentos, nem vida. Entretanto, reafirme-se que a água é somente uma para todas as serventias no campo e nas cidades, estando geograficamente mal distribuída nos continentes, tendo-se no Brasil as prolongadas secas no Nordeste, ou ainda o deserto de Atacama (Chile), o mais seco do Mundo!
O foco nos recursos hídricos, superficiais e subterrâneos, nos remete às bacias hidrográficas, com seus relevos geográficos, solos diversos, malhas hídricas e afluentes na lógica milenar dos córregos, riachos e rios, leitos naturais de escoamento das águas superficiais, e com suas vazões mensuráveis mínimas, médias e máximas num horizonte de tempo de aferições periódicas, com base em critérios técnicos e ambientais!
E mais, as sub-bacias e bacias são as grandes áreas coletoras de chuvas, escassas ou abundantes, e requerem compartilhamentos da água para usos múltiplos, como também se configuram em abrigos naturais da faúna e flora, o que demandam cuidados conservacionistas e preservacionistas dos recursos naturais, que são complexos, sinérgicos, e cobrem até os continentes da Terra.
Acrescentem-se que também são as bases físicas da produção e oferta de grãos, cereais, oleaginosas, biomassa, produtos florestais, frutas, hortaliças, legumes, agro energia, e dos produtos gerados pelo sistema sucroalcooleiro. São múltiplas e indispensáveis as ofertas e funções da agricultura e da pecuária numa bacia hidrográfica. O Censo Agropecuário 2017 registra dois milhões de hectares com reflorestamento em Minas Gerais!
Essas paisagens, com milhões de hectares de pastagens, ainda abrigam os rebanhos de pequenos e grandes animais, que oferecem as proteínas consideradas nobres, como carnes, ovos e leite; e nelas ainda vivem milhões de pessoas que praticam atividades agrossilvipecuárias, e longe dos olhos urbanos e pouco atentos às realidades rurais! As necessidades fisiológicas por água de uma vaca em lactação podem variar de 80 a 190 litros por dia (Milkpoint).
Além disso, persiste, indevidamente, uma tese frequente de que a agricultura “consome muita água;” tese essa que padece de fundamentos na prática, embora a gestão compartilhada e uso correto dos recursos hídricos tenham ferramentas técnicas adequadas para reduzir os desperdícios pela adoção de boas práticas sustentáveis! A água usada nas atividades produtivas da agricultura milenarmente retorna ao “Ciclo Hidrológico.” Como?
No manejo correto da água e do solo, sustentáveis, somam-se ainda a evapotranspiração das culturas, matas e florestas, formadoras de nuvens de chuvas, juntamente com os mares e oceanos da Terra, cujo calor solar atingindo a superfície desses gigantescos reservatórios naturais de água salgada, evaporando-a, resultam em trilhões de metros cúbicos de chuvas de água doce, que chegam aos continentes e às sub-bacias e bacias hidrográficas.
E mais, as boas práticas ambientais promovem o estratégico reabastecimento dos lençóis freáticos e artesianos; reservação de água; preservação de nascentes; e reduzindo a erosão laminar e profunda dos solos, agrícolas ou não, fator de entupimento das calhas dos corpos de água, reduzindo vazões, o que poderá provocar enchentes, alagamentos, e prejuízos de bilhões de reais nas paisagens atingidas, e também perdas de nutrientes, matéria orgânica no campo. A presença da água é fato concreto e mensurável, sendo de 60% apenas no corpo humano.
Por hipótese, uma cultura que requer, para completar seu ciclo produtivo da semente plantada ao grão colhido, um volume de água de 1.200 milímetros por hectare cultivado implica numa demanda potencial de 12 milhões de litros a cada 10 mil metros quadrados. A agricultura de grãos, como exemplo, depende diretamente em 90% do regime de chuvas. A agricultura irrigada brasileira opera em apenas 6,95 milhões de hectares (ANA).
Estudos avançados de fisiologia vegetal  e pesquisas com três diferentes métodos de irrigação na Austrália, envolvendo pesquisadores da Austrália, França, EUA, Norte da África, Inglaterra e FAO, revelaram que as plantas cultivadas (grãos)  exportam (tiram do campo) apenas 3% a 7%, da água utilizada no processo produtivo,  sendo que de 97% a 93% retornaram à dinâmica hídrica do “Ciclo hidrológico.” Portanto, é um engano a tese de que a agricultura consome 70% da água doce disponível para produzir alimentos. No máximo, a agricultura consumiria 70% do uso consuntivo da água, ou seja, daquela quantidade usada para todos os fins (indústria, consumo humano....) e não da água doce existente no planeta.
A título de ilustração, se toda a água do Rio São Francisco (vazão média de 2.943 m³/s) fosse usada pela agricultura corresponderia apenas a 1,5% da vazão média do Rio Amazonas. (209.000 m³/s) - Wikipédia.
E a água contida em alguns alimentos? Abacate (83%); abacaxi (88%); acerola (90%); alface (96%); arroz integral cozido (70%); banana (72%); cenoura (90%); frango assado (70%); goiaba (86%); laranja (87%); manga (92%); ovo (75%); carnes (60% a 75%); tomate (95%); melancia (92%); e leite de vaca (86%)(Brasil Escola), que são ofertados, entre outras exigências técnicas, demandam o acesso à água doce, insubstituível. Essa água ajuda a hidratar o organismo humano, os produtos alimentam, e ela volta à natureza, e parte pelas vias urinárias!
E mais, as principais bacias hidrográficas de Minas Gerais são; as dos rios São Francisco, mineiro de origem, Pardo, Jequitinhonha, Mucuri, Doce, São Mateus, Paraíba do Sul, Grande e Paranaíba (Igam). Há sinais evidentes da disputa (conflitos) pela posse e uso água entre estados e países; presumivelmente crescendo numa questão de tempo no viger do século XXI.
Minas Gerais faz divisas com Goiás, Mato Grosso do Sul, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo; e suas águas vertem para a formação da bacia do rio da Prata; bacias compartilhadas!
Por outro lado, como inovar custa dinheiro, os produtores precisam receber por serviços ambientais prestados à sociedade, pois eles, sem dúvida, transcendem a porteira da fazenda. Noutro cenário convergente, campo e cidade, uma chuva de 100 milímetros corresponde a 100 de litros de água por metro quadrado, e as consequências são mais do que visíveis!
Contudo, lembre-se que as duas primeiras exigências legais sobre o uso da água são para abastecimento humano e dessedentação dos animais. A água é um bem público, porém, outorgável mediante critérios técnicos e ambientais. (ANA).
Engenheiro agrônomo Benjamin Salles Duarte*/fevereiro de 2020.  
 




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Comentário(s) (1)


e disse:

02/03/2020 às 01:42

20

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