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23/01/2018

As safras agrícolas reúnem tecnologias, mercados e consumidores


O quarto levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma safra agrícola de 227,95 milhões de toneladas em 2017/18, menor 4,1% em relação à safra de 2016/17, sendo que houve um aumento de 1,1% na área cultivada e previsão de 61,53 milhões de hectares, ao comparar com plantio do ano passado. Porém, ainda faltam oito novos levantamentos e esses dados, nível de campo, podem ser alterados para mais ou para menos, pois esses plantios dependem em mais de 80% da boa distribuição das chuvas ao longo dos ciclos das culturas de grãos, cereais e oleaginosas, ou como se diz na cultura popular; estariam submetidos à vontade de São Pedro.

A irrigação no Brasil, como um todo, não chega aos 7 milhões de hectares. Um dado modesto diante das potencialidades brasileiras no campo da agricultura irrigada, que se estima em 30 milhões de hectares. Além disso, o seguro agrícola é lento nos cenários da produção de alimentos no Brasil, na medida em que os riscos ainda são consideráveis também por decorrência do caprichoso sistema climático e não raro, enigmático, e sem desconsiderar os ataques de pragas e doenças, embora controláveis.

Pode-se aceitar que as mudanças havidas do mercado rural para o urbano nos últimos cinquenta anos, resultantes dos processos acelerados de urbanização e das exportações brasileiras, deslocou o poder de decisão, até então quase que exclusivos dos agropecuaristas, para os consumidores urbanos e os importadores do agronegócio brasileiro. Eles são soberanos nas suas escolhas, inclusive dos cardápios alimentares e do perfil nutricional do que se consumir numa perspectiva de tempo.  Esse comportamento aplica-se também, numa outra vertente da agro economia, aos produtos de base florestal ao atenderem às outras necessidades humanas e são também suportes indispensáveis nos eixos das economias regionais e nacional. Aliás, o mercado é uma conquista e jamais uma capitania hereditária!

Boas safras agrícolas são indispensáveis ao abastecer e exportar, agem no controle do processo inflacionário, geram emprego e renda, entretanto, uma queda da safra agrícola que não for substantiva não deverá provocar transtornos econômicos consideráveis, desde que haja ainda um certo equilíbrio entre a oferta e a procura por alimentos e afins.

 Além disso, existem estoques de passagem, variações nas produções e ofertas de outros países produtores, que concorrem com o Brasil, bem como se ligam à distribuição da renda per capita. E mais, os ajustes rotineiros que se fazem com a renda familiar nos movimentos pendulares da economia, que afetam não apenas o consumo de alimentos, embora essenciais, mas os desempenhos da indústria, agroindústria, do comércio e dos serviços, pois, num cenário mais amplo, quem compra também quer vender. Uma lógica milenar.

Evidentemente, nessa análise tangencial, a perda agrícola poderá se refletir na capacidade de pagamento dos produtores, desaquecer o comércio de máquinas e equipamentos agrícolas, ainda que transitoriamente, e até exigir o renegociar de eventuais saldos devedores. Entretanto, também têm outras duas vertentes que se convergem; o que foi gasto para produzir por hectare cultivado e o que se deixa de ganhar por não ter sido colhido, e essa abordagem depende igualmente da magnitude geográfica desses eventos agronômicos. As artes de plantar, criar, comprar e vender são de múltiplas dimensões econômicas, sociais e ambientais. Não há nenhuma mágica no campo.

Apesar de tudo, o agronegócio brasileiro é vitorioso desde a segunda metade da década de 1970, também década da criação da Embrapa, pois, antes o Brasil era um grande importador de alimentos. Esse segmento estratégico da economia nacional deverá passar por novas mudanças e demandas no viger desse século 21, e a recomendar mais pesquisas, desenvolvimento, e ampliar substantivamente os processos de difusão de inovações nos circuitos agroalimentares, nas paisagens rurais, comunidades de produtores e suas organizações, e na adoção de boas práticas, sustentáveis.

De outro ângulo, sabe-se que a maioria dos projetos de irrigação na agricultura são ligados aos produtores rurais e às empresas privadas, o que não exclui e nem subestima os esforços irrigantes nos domínios do governo federal. A questão central, que define projetos e processos na agropecuária e no setor de base florestal, continuará sendo a rentabilidade econômica na adoção e gestão das inovações tecnológicas geradas pela pesquisa. A agropecuária é um negócio e seja ele familiar ou nos cenários dos médios produtores e nos circuitos de grandes empresários ligados ao agronegócio mineiro e nacional que, no conjunto, em 2017 gerou um superávit acumulado nas exportações de US$ 80,7 bilhões, histórico (Seapa).

Vale também assinalar que a tese do aquecimento global, que abrange também a agropecuária e o setor de base florestal, será um tema recorrente no viger do século 21, polêmico, e envolve forças poderosas e até antagônicas. Porém, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA, com base nos dados de 2015, em nível mundial, listou os principais países emissores de gases de efeito estufa, sendo eles; China, 20,09%; EUA, 17,89%; União Europeia, 12,08%; Rússia, 7,53%; Índia, 4,10%; Japão, 3,79%; BRASIL, 2,48%; e Canadá, 1,95%. Assim, os EUA, a China e União Europeia são responsáveis, nesse grupo, por 50,06% das emissões totais e querem que essa conta seja paga pelos países mais pobres e os em desenvolvimento. 


Fonte: Benjamin Salles Duarte - Engenheiro Agrônomo



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18/08/2018 às 17:23

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