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12/10/2012

Barrabás, Silvério e Pilatos Florestais

Foto: Google

As preocupações ambientais eram insignificantes até o fim da década de 1970, tanto que as pessoas faziam dos rios um lixão, de resíduo de embalagens até geladeiras, sofás, etc. Santa ignorância de alguns que achavam que todo lixo que desembocasse no mar seria dissolvido como se numa solução cáustica.  Convivia-se com todo tipo de abuso contra a mãe natureza. O nível de degradação foi tal que a sociedade assumiu a responsabilidade de reparar os danos no planeta para que as futuras gerações pudessem viver dignamente.

O homem a partir da revolução industrial e, sobretudo, da segunda grande guerra, excedeu-se no desrespeito aos recursos naturais. No Brasil, em muitas regiões sob domínio da Mata Atlântica, a vegetação nativa foi dizimada, gerando um caos, uma paisagem desoladora. A poluição industrial era sinônimo de progresso. A ictiofauna sucumbia à jusante das fábricas e das cidades. Enfim, verdadeiro cenário de degradação que levou as pessoas a buscar um modelo de produção calcado na sustentabilidade.

Diante de uma ação histórica de degradação extrema do ambiente, era natural uma reação proporcional no modelo de gestão ambiental. Mas, não necessariamente um burocrático, restritivo, coercitivo e punitivo tão exacerbado a ponto de estagnar o desenvolvimento socioeconômico, que por tabela comprometesse à própria proteção.

Excessos a parte, o Poder Público, sob a conveniência do princípio da precaução, apoderou-se de instrumentos de comando e controle que, embora tenha tido algum progresso na proteção ambiental, acarretou em sérios prejuízos sociais, alijando comunidades tradicionais da sua forma de vida, ao impedi-las de usufruir da natureza.

É justificável que os órgãos tenham se excedido com a interpretação equivocada do princípio da precaução e da visão de intocabilidade dos recursos naturais, por se tratar de uma época em que reinava o obscurantismo à questão. No entanto, algumas atitudes são imperdoáveis pela prepotência e truculência com que foram impostas por meio de normas e regras que colidiam frontalmente com os valores e as tradições geracionais de comunidades que sobreviviam dos seus recursos renováveis.

Se para muitos profissionais da área florestal e ambiental só recentemente esta nebulosidade tem sido diluída, quiçá para os leigos. Isso explica porque muitas políticas ambientais foram míopes em aceitar que homem e natureza não fossem imiscíveis. Não há nada de errado em se utilizar dos recursos das florestas, a não ser em casos que este uso comprometa a sustentabilidade. Situação esta que não é interessante para ninguém, menos ainda para aqueles que delas dependem para sobreviver.

Se algo de errado estiver acontecendo no manejo florestal, a solução é a orientação, extensão, jamais a proibição, pior ainda pelo uso da força como aconteceu em algumas destas comunidades que viviam da produção do carvão vegetal de nativas. Muitas regiões que ainda têm áreas de Mata Atlântica protegidaem Minas Geraissão aquelas que tiveram a tradição do carvão. Porém, hoje, as pessoas nestas respectivas comunidades são vítimas desta exclusão provocada pela idiossincrasia ambientalista que, quando não expulsa as populações para as favelas dos grandes centros, as impõem viverem num campo de concentração cercado de riqueza florestal, mas na mais absoluta pobreza social.

Numa destas regiões, a comunidade tenta reagir à ecoditadura desde 1995, porém sem sucesso. Embora seus líderes, articulados com a igreja, tenham acessado o governador e a cúpula dos órgãos ambientais, como também o Ministério Público, para convencê-los da harmonia do binômio homem/natureza, lamentavelmente, passado mais de 15 anos, nada foi feito de concreto, apenas promessas e propostas ilusórias.

O interessante disso tudo é que no meio daquele obscurantismo todo, já naquela época (1995) o líder comunitário consagrava o manejo florestal sustentável para produção de carvão e rechaçava, categoricamente, o viés que sustentou o discurso ambientalista excludente. Tal é verdade, que ele escreveu o seguinte desabafo como exposição de motivos de um abaixo assinado em 15 de dezembro de 1995, conforme:

“… abaixo assinados, inconformados com a humilhante situação por que atravessam no momento, tendo que conviver com a miséria, tortura, tratamento desumano, abuso de poder, descaso das autoridades, por irresponsabilidade de um grupo intitulado defensores do meio ambiente, que gozam das maiores mordomias que nos submetem a tal situação tendo os moradores abaixo assinados que passar por todas essas situações, residindo em seu próprio pedaço de chão, solo rico, sem poder trabalhar esta terra e dela tirar seu sustento devido à perseguição implacável e impiedosa desses malogrados defensores do meio ambiente que querem, a todo custo, levar todo este povo a miséria. Sendo assim, … solicitar às autoridades para se sensibilizarem e reanalisarem a legislação ambiental, tornando-a mais benevolente para com o homem do campo que precisa da terra para sobreviver.”

Desta forma, nada justifica a força desproporcional com que os órgãos de gestão ambiental, temerários ao aparato ambientalista, trataram as pobres comunidades que viviam harmoniosamente dos recursos florestais. É hora de buscar o consenso. De convergir para um modelo de produção e consumo sustentável, sem a misantropia que impeça da humanidade de se evoluir em seu bem estar.

Neste sentido, preterir estas populações carentes em nome de pseudos arautos da proteção ambiental, assim como enganá-las com propostas paradisíacas intangíveis é uma traição e uma dissimulação inescapável para uma situação que sempre cobrará solução.

Usar do princípio da precaução como subterfúgio para aplicar uma legislação imprópria aos anseios sociais, alegando o papel de cumpridor de lei mesmo que isso fira o próprio bom senso e, por fim, afirmar que “lavo as minhas mãos”, é faltar com a verdade, que tarda, mas não falha.

Por Sebastião Renato Valverde, professor do curso de Engenharia Florestal na Universidade Federal de Viçosa - UFV


Fonte: Celulose Online



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Comentário(s) (7)


Valverde disse:

22/10/2012 às 16:56

Ok Indira, muito obrigado pela leitura e elogios.

Índira Cristina de Freitas Ramos Valery disse:

22/10/2012 às 16:03

Gostei muito de ler este artigo, achei muito interessante e inteligente a forma como você abordou o conteúdo com o título, fazendo uma comparação com Pôncio Pilatos. Parabéns mesmo!

Anônimo disse:

19/10/2012 às 09:52

Você é porreta! De cabeça e de discurso.

Aline disse:

17/10/2012 às 21:25

Excelente matéria, e ótima argumentação. Digno de uma página grande em um caderno específico do Jornal Estado de Minas... aí sim, iria mexer com "os pilares do Sinédrio" e com as "torres e colunas da Fortaleza Antônia". Né?
Parabéns professor! Continue, continue...

Anônimo disse:

17/10/2012 às 11:32

Ttpcom

Sebastiao Valverde disse:

16/10/2012 às 16:41

Ok. Obrigado.

Anônimo disse:

16/10/2012 às 14:54

Valverde, parabéns pelo artigo. Muito bom.

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