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30/03/2017

Breve História da Agricultura Brasileira



Um dos marcos históricos mais importantes da agricultura é a cafeicultura brasileira, que desde 1727, segundo os historiadores, aportou no Brasil, num cenário, até hoje, meio cinzento, pelas mãos do Sargento Mor Francisco de Melo Palheta, que havia desempenhado uma missão de governo na Guiana Francesa. O café é originário da Etiópia e logrou encontrar no Brasil solos férteis, vocações regionais, climas adequados à cultura e mão de obra escrava e barata.
O café não é apenas um produto agrícola, pois teve forte influência na vida econômica, social e política do pais e até hoje, entre problemas, avanços e perspectivas, gera milhares de empregos diretos e indiretos, abastece o mercado interno, tem peso considerável nas exportações do país e no PIB do agronegócio. O Brasil é o maior produtor mundial de café e Minas Gerais lidera a cafeicultura nacional, com a média de 50,0% da produção interna.
Estima-se que a safra brasileira de Café, em 2017, fique entre 43 e 47 milhões de sacas beneficiadas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O café é uma cultura bienal. Há que se lembrar também, sem detalhamentos, dos ciclos da borracha, do cacau, da cana-de açúcar, do pau brasil, das florestas plantadas, fatos históricos, muitos dos quais ainda vigentes, estratégicos, vigorosos e indispensáveis à economia mineira, nacional e aos empreendedores rurais.
Na cultura da cana-de-açúcar, o primeiro alvará que trata da introdução da cana-de-açúcar no Brasil, em 1516, foi expedido pelo Rei de Portugal, Dom Manuel, e as primeiras mudas vieram em 1532, na expedição marítima de Martim Afonso de Souza e foi o setor mais importante da economia colonial vigente à época. Hoje o Brasil é o maior produtor e exportador mundial de açúcar.
A primeira referência de soja no Brasil foi registrada pelo professor Gustavo D’Utra, da Escola Agrícola da Bahia, em 1882, mas o marco oficial de sua expansão começou com os cultivos na Estação Agropecuária de Campinas (SP) em 1901, com a distribuição de sementes para os agricultores paulistas. A dobradinha soja e milho tomou força no país na década de 1970, inclusive com a conquista dos cerrados como áreas de produção de grãos em escala comercial e não apenas para abastecer como também para exportar. A soja é originária da China e há registros sobre ela há 5 mil anos naquele país.
 O Brasil é o segundo maior produtor mundial de soja e compete com os EUA para lograr a primeira posição no cenário internacional. Comparando-se a colheita da soja de 14,8 milhões de toneladas em 1980 com a estimativa de 107,6 milhões em 2017 (Conab/6º Levantamento) houve um crescimento de 627,0%. Segundo a Fiesp/Deagro, o Brasil na safra 2016/17 poderá exportar até 61 milhões de toneladas de soja, o que o colocaria em primeiro lugar, seguido pelos EUA. É aguardar, pois o mercado é soberano.
No caso do milho, que os indígenas brasileiros o cultivam há séculos, a expansão dessa cultura foi logo após a chegada ao Brasil dos primeiros colonizadores portugueses e ao encontrar também considerável diversidade de climas e solos. Os paleobotânicos afirmam que o milho, o grão mais disseminado no planeta Terra, já era cultivado há 7.300 anos nas terras do litoral do México, e no Peru desde 4 mil anos passados.
Em 1980, a safra brasileira de milho atingiu 19,4 milhões de toneladas e a de 2017, segundo a 6º Levantamento da Conab, será de 88,9 milhões ou mais 358,2%. Milho e a soja são indissociáveis da produção e oferta regular de carnes, leite e ovos, que são consideradas proteínas nobres, e respondem historicamente por mais de 80,0% das safras brasileiras de grãos, que passou de 50,8 milhões de toneladas em 1980 para 222,9 milhões em 2017 (6º levantamento), um avanço presumível de 338,7%. O Brasil poderá exportar 31 milhões de toneladas de milho na safra 2016/17, segundo projeções dos analistas da Fiesp/Deagro.
 
No avançar dessa história coletiva, a Associação Brasileira da Indústria do Milho (Abimilho) destaca que o milho é usado em mais de 150 produtos industriais, entre os quais; ração animal, alimentação humana, massas, tecelagem, biscoitos, sorvetes, bolos, xaropes, dextrose, corantes, explosivos, doces, sopas, fubá, pão, cervejas, fundição, mineração, antibióticos, papelão, papel, entre outras dezenas de aplicações.
Vale ainda assinalar que a produção nacional de leite passou de 11,2 bilhões de litros em 1980 para 35,1 bilhões em 2016, cresceu 213,4% (IBGE). Minas lidera a produção de leite e seus derivados, e os rebanhos de pequenos e grandes animais (bovinos, suínos e aves de corte e postura) dependem dos grãos na formulação alimentar, de acordo com as exigências nutricionais de cada espécie.
Segundo a Associação dos Avicultores de Minas Gerais (Avimig/USDA), a produção brasileira de carne de frango passou de 5,98 milhões de toneladas em 2000 para 13,14 milhões em 2015 ou mais 119,73%. Dados da Ufla –Zootecnia/2016, a produção brasileira de carne bovina foi de 6,82 milhões de toneladas em 1980 para 10,21 milhões em 2015, um crescimento de 49,70%.
 Já em 1949, pioneiramente, a ACAR-MG fez as primeiras demonstrações de campo com o milho híbrido, chamado também de milho americano, em parceria com os agricultores assistidos pela extensão rural, que envolvia também os jovens dos Clubes 4-S (Saber, Sentir, Saúde e Servir) na difusão dessa estratégica inovação tecnológica nas artes de plantar no Estado.
Evidentemente que noutras áreas da ciência e da tecnologia ligadas à agropecuária e ao agronegócio houve avanços consideráveis na fruticultura, horticultura, agricultura irrigada, nos rebanhos de pequenos e grandes animais, no setor de base florestal, que é também um agronegócio expressivo, e nos ganhos de produção, produtividade e qualidade nas culturas e criações. Mas as grandes forças promotoras dessas mudanças são os sistemas agroalimentares, a distribuição da renda per capita, que estimula o consumo, e também a crescente demanda por produtos florestais e afins, bem como na vertente da agro energia renovável e incluindo-se o etanol.
Segundo a Associação Mineira de Silvicultura (AMS-2015), as florestas plantadas no Brasil somam 7,30 milhões de hectares ou 0,9% do território nacional, e Minas Gerais lidera o reflorestamento com 1,54 milhão de hectares ou 2,62% do território mineiro. Como registro histórico, a primeira “Escola Nacional de Florestas” foi criada na Universidade Federal de Viçosa (UFV) em 1960, e transferida para Curitiba em 1963. Na década de 1970 foram criados os Distritos Florestais no Estado, o que contribuiu para a expansão da silvicultura mineira nos seus desdobramentos econômicos, sociais e ambientais no cenário nacional.
Porém, os fatos mais recentes que impulsionaram a agropecuária nacional somam pouco mais de 40 anos e assinale-se, dentre eles, sem demérito de outras instituições de pesquisa pública e privada, a criação da Embrapa em 1973 em nível do governo federal. Se se pudesse simplificar, mercados e tecnologias explicam esses desempenhos auspiciosos e que devem requerer para manutenção e evolução, muito mais ciência, tecnologia, logísticas operacionais, boas práticas sustentáveis e adoção de inovações, não apenas nas paisagens rurais como também nas cidades no viger do século XXI. A agricultura traciona a pecuária e o setor de base florestal nos caminhos do comércio interno e externo.
O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro, a preços correntes, foi de R$ 1,47 trilhão em 2016 e as vocações históricas do Brasil são o agronegócio, apesar das turbulências vigentes, e os sistemas florestais ancorados também em modernas políticas governamentais no abastecer e exportar num mundo em permanente mudança.


Fonte: Benjamin Salles Duarte - Engenheiro agrônomo



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