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10/02/2011

Empresa de óleo de palma assina acordo para preservar floresta tropical

Golden Agri-Resourses, segunda maior companhia de produção de óleo de palma, cede à pressão de empresas de alimentos e grupos ambientalistas.

Na última quarta-feira (9), uma das mais conhecidas e controversas empresas de óleo de Palma, a Golden Agri-Resourses (GAR), da Indonésia, concordou em firmar um pacto para a conservação das florestas tropicais e áreas de turfa, cedendo à pressão de corporações alimentícias e organizações ambientalistas. O acordo, consolidado com a The Forest Trust (TFT) – grupo ambientalista que promove negócios sustentáveis – pode ajudar a desenvolver alternativas para a produção de óleo de palma no país, que detém a maior produção mundial do item.

A GAR é dona da PT Sinar Mas Agro Resources and Technology (SMART), uma empresa que já foi muito criticada por diversas organizações ambientais por destruir as florestas tropicais e as turfas de Bornéu. As campanhas contra a SMART levaram a empresa e perder vários clientes importantes como a Nestlé, que afirmou que não aceitaria óleo de palma de companhias ligadas ao desmatamento. A firma chegou a ser ameaçada de ser expulsa do Roundtable on Sustainable Palm Oil, uma corporação que define critérios sociais e ambientais para a produção de óleo de palma.

O pacto compromete a GAR a proteger e não utilizar florestas tropicais e áreas de turfas com um alto nível de biodiversidade, que fornecem as maiores reservas de carbono. Será permitido à empresa explorar outras áreas de mata, que forem consideradas de menor valor de conservação. No entanto, estes valores, que são analisados pelo Roundtable on Sustainable Palm Oil, ainda não foram definidos. O acordo deverá definir ainda o quanto de terra a companhia poderá usar nas novas plantações de palma. Atualmente, as plantações da GAR abrangem 433 mil hectares, e a empresa é a segunda maior produtora do óleo no mundo, com um rendimento anual de $2,3 bilhões.

A firma se comprometeu a promover esta política de preservação por toda a indústria de óleo de palma. “Vamos utilizar a influência da nossa liderança para defender essa política em parceria com a comunidade indonésia e mundial”, declarou a companhia. De acordo com Scott Poynton, diretor executivo da TFT, “esse pacto representa um passo revolucionário na busca pela conservação das florestas. Temos visto que a destruição das florestas está ligada intimamente à cadeia de produtos consumidos pelos países industrializados e estamos mostrando que podemos fazer algo a respeito”.

Tanto Poynton quanto Franky Wijaya, presidente da GAR, concordam que o acordo ajudará a colocar a Indonésia em um caminho de desenvolvimento sustentável para o crescimento da economia do país. Segundo o presidente da empresa, “a GAR vai trabalhar em conjunto com o governo, outras produtoras do óleo de palma, ONGs e comunidades locais para chegar a uma produção de óleo sustentável. Nossa parceria com a TFT nos permite plantar palma de maneira que as florestas sejam conservadas e que também possamos responder às necessidades de desenvolvimento do país”.

Mesmo o Greenpeace, que já criticou severamente a GAR pelas suas supostas atividades predatórias, mostra-se otimista com a notícia, e pretende monitorar a empresa para assegurar que cumpra suas promessas. Bustar Maitar, responsável pela campanha do Greenpeace para proteger as florestas da Indonésia, sugeriu que “essas podem ser boas notícias para as florestas, para espécies ameaças e para a economia indonésia”.

“Na teoria, os novos compromissos da Golden Agri são o maior passo que eles podem tomar para acabar com seu envolvimento no desmatamento. E se eles realmente fizerem essas mudanças, grandes áreas de florestas serão salvas. Mas agora eles tem que implementar esses planos, e iremos monitorar para nos certificarmos que isso irá acontecer. O acordo ainda está no papel, mas até agora estamos percebendo que a GAR está se empenhando seriamente para ir em frente com o projeto”.

Maitar ainda completou: “Os outros produtores não podem dizer ‘não’ para preservação das florestas indonésias. A GAR já se comprometeu a produzir sem destruir a floresta, então acredito que outras empresas também possam fazer isso”. O Greenpeace acredita que o governo também deve fazer sua parte no pacto. “O governo deve assumir um papel importante para assegurar que as leis sejam cumpridas e para incitar a sociedade civil e as comunidades locais a monitorarem este processo”.

A TFT também vai monitorar a GAR para ter certeza que a companhia cumprirá o prometido. “Nós sabemos que esse acordo não servirá para nada se não for colocado em prática”, afirmou Poyton. “Já começamos a fazer isso visitando as plantações da GAR e nos certificando que o pacto vai continuar de pé. Já trabalhamos com outras empresas nesse sentido e tencionamos fazer isso novamente”. A organização acredita que o pacto pode ter implicações para florestas de outras partes do mundo, que sofrem uma ameaça cada vez maior da produção em larga escala do óleo de palma.

Hoje em dia, o óleo de palma é usado em uma larga variedade de produtos, como comidas industrializadas, cosméticos e artigos de higiene. A WWF estima que o óleo seja encontrado em cerca de metade dos itens vendidos em supermercados, e é também utilizado como biocombustível. O artigo movimenta cerca de $20 bilhões por ano.

Nos últimos 20 anos, o óleo de palma se tornou uma grande fonte de renda na Indonésia, Malásia, Sumatra, Bornéu, Nova Guiné e outras ilhas, o que levou ao desmatamento de grandes áreas de floresta tropical, com o objetivo de desenvolver as plantações. Segundo algumas estimativas, a partir de 1990, mais da metade das plantações de palma se expandiu em áreas de florestas, causando a perda do habitat de animais ameaçados, como orangotangos, elefantes pigmeus, rinocerontes e tigres. Além disso, o desmatamento elevou a quantidade de emissões de gases do Efeito Estufa e em algumas áreas intensificou conflitos sociais.


Fonte: Instituto CarbonoBrasil/TheGuardian/Mongabay



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