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11/11/2020

INOVAÇÕES NAS PAISAGENS RURAIS

O fator urbanização, resultante de múltiplas causas associadas, é um processo irreversível nos países em desenvolvimento e desenvolvidos, podendo, contudo, perder força num horizonte de tempo, embora a tese de um presumível retorno em massa para o campo não tenha nenhuma sustentação demográfica e nem científica. Não há como segurar quem não quer ficar!

INOVAÇÕES NAS PAISAGENS RURAIS*
As paisagens rurais são extremamente complexas e abrigos naturais da diversificada e rica flora e fauna brasileiras em 851 milhões de hectares desse país continental, e base física da produção e oferta de grãos, cereais, oleaginosas, bioenergia, produtos florestais, biomassa, plantas medicinais, bem como cenários que exigem muita pesquisa agropecuária, sistemas de adoções por quem planta e cria, abrindo novos caminhos compartilhados na bioeconomia.
É a Ciência circulando no campo a exigir também muitos conhecimentos e talentos humanos, e clara compreensão e avaliação das atividades rurais, o que não deve subestimar, sob nenhuma hipótese, as experiências acumuladas pelos empreendedores rurais. Receita pronta não funciona em milhões de hectares com grãos, frutas, hortaliças, rebanhos, e a gestão da inovação tecnológica, na busca de bons resultados, se consolida nesses cenários de grande magnitude geográfica, tecnológica e climática, com suas oportunidades, exigências e ofertas regulares; uma dinâmica de 365 dias por ano.
No fundo e na forma, embora seja um processo fundamentado nas regras dos mercados, quem corre o maior risco está do lado de dentro da porteira no complexo mundo dos negócios, embora o agronegócio brasileiro seja uma referência num crescendo internacional dos últimos 48 anos, o que incomoda os concorrentes nos demais países. E o seguro agrícola? Uma promessa tímida e circunscrita, por enquanto, diante da magnitude da produção agropecuária desse País, em níveis interno e externo, que exige bilhões de reais em crédito rural assumido pelos produtores!
Entretanto, vamos ao que interessa e faz a diferença. O fator urbanização, resultante de múltiplas causas associadas, é um processo irreversível nos países em desenvolvimento e desenvolvidos, podendo, contudo, perder força num horizonte de tempo, embora a tese de um presumível retorno em massa para o campo não tenha nenhuma sustentação demográfica e nem científica. Não há como segurar quem não quer ficar!
Eis algumas taxas de urbanização no Brasil; 1940, 31,2%; 1960, 44,7%; 1980, 47,6%; 2000, 81,2%; 2010, 84%; e estimativa para 2020, 86,88%, para uma população estimada em 211,8 milhões de brasileiros em 1º de Julho de 2020, ressaltando que, em 2015, a região Sudeste ostentava uma taxa de urbanização de 93,14%. A conferir novos dados com o próximo Censo Demográfico em 2021 (IBGE). O mercado consumidor urbano, predominante, e as exportações serão fatores emblemáticos e presumivelmente decisivos cerca do futuro do agronegócio brasileiro, e da pesquisa agropecuária!
E a oferta de grãos? Está numa curva ascendente desde a metade da década de 1970 numa consistente série histórica e contida no substantivo documento “ Evolução da produção e produtividade da Agricultura Brasileira,” obra conjunta dos pesquisadores Eliseu Alves, Elísio Contini, e José Gasques (Embrapa/MAPA/2008); o passado histórico e registrado está sempre presente, corrigindo dados e informações e abrindo perspectivas de novas hipóteses a serem testadas no viger deste século XXI; ou seja, para onde caminharia o agronegócio?
Assim posto, eis uns poucos exemplos da oferta brasileira de grãos; safra de 1980; 50,8 milhões de toneladas em 40,1 milhões de hectares; 2000, 83,0 milhões de toneladas em 37,8 milhões de hectares; 2010, 149,5 milhões de toneladas em 47,9 milhões de hectares, 2020, 1ª estimativa, 268,7 milhões de toneladas em 66,8 milhões de hectares (Conab).
Ressalte-se que a população brasileira entre o ano de 1940 e estimativa de julho de 2020 cresceu 170,7 milhões de habitantes/consumidores ( + 415,3%)(IBGE).
E mais, se compararmos a safra de grãos de 1980 com a estimativa de 2020, a produção cresceu 429%; e a área de cultivos, 66,5%; menor pressão de demanda sobre os recursos naturais e mais proteção da biodiversidade. Sinergias!
Houve consideráveis ganhos de produtividade e produção em relação ao fator terra, e adoção de tecnologias tracionada por mercados estimulantes. Faz-se necessário acrescentar que, em 1980, a área brasileira de plantio com grãos representava respectivamente 4,71% do território nacional; em 2000, 4,44%; em 2010, 5,62%; e 2020 (estimativa), 7,84%.
E mais, a sustentabilidade dos recursos naturais, no que lhes compete, tem um custo considerável para quem planta e cria, abastece e exporta. Segundo a 1ª estimativa da Conab, o Estado do Amazonas, por exemplo, com 151 milhões de hectares, safra 2020/2021, cultiva apenas 16 mil hectares com grãos ou 0,01059%; e ofertando 36 mil toneladas, 0,01339% da oferta prevista de 268,7 milhões de toneladas para 2020/2021, em nível nacional. Nesse caso, não pode ser debitado à agricultura de grãos a dilapidação dos recursos naturais; relação de causa e efeito. A desinformação é uma espécie de erva daninha resistente e persistente!
Além disso, o que faltaria ao agronegócio também para além da porteira da fazenda, uma alusão simbólica; mais pesquisa e desenvolvimento compartilhados; avançar mais no Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), com suas metodologias e singularidades técnicas, novas abordagens científicas sobre o solo agrícola, agricultura de precisão e irrigada, plantio direto na palha, rotação de culturas, biodefensivos, capacitação eficiente de irrigantes, genética animal e vegetal; um agressivo programa de calagem e análise do solo para calibrar os fertilizantes, sendo 70% importados a peso de dólar comercial, aquecido.
Acrescentem-se agregar valores adicionais às matérias-primas produzidas no campo, agro industrializar, fortalecer as formas de associativismo e cooperativismo; maior integração entre a pesquisa e extensão pública e privada; políticas públicas, certificados de origem, ampliar, reconhecer e premiar os melhores produtores, e sejam eles familiares, médios e empresários, entre outros, nos sistemas agrossilvipastorís. O agro é superavitário nas exportações há décadas.
Entretanto, até hoje, salvo poucas exceções, o agro mineiro e brasileiro está ainda a exigir logísticas operacionais mais eficientes; uma novela que se arrasta há décadas. A projeção otimista de que em 2030 o Brasil estaria produzindo 300 milhões de toneladas de grãos é um horizonte curto e desafio maior, pois não dá também para armazenar grãos debaixo de lonas, a céu aberto, sendo que 60% da oferta de grãos transitam por rodovias e estradas, não raro, esburacadas e precárias, queimando lucros, petróleo e pneus, e elevando custos operacionais. Poder-se-ia nadar em grande estilo e morrer na praia! Em 2014, a malha ferroviária dos EUA atingia 293,5 mil km; China, 124 mil km (2017); e Brasil, 30 mil km (2017)(Google).
*Engenheiro agrônomo Benjamin Salles Duarte – novembro de 2020.
Nota; nem tudo é novo ou inovador, pois no ano 4.500 a.C os sumérios foram os primeiros a utilizarem arados tracionados por animais, principalmente bovinos (Google), e revolucionando definitivamente a agricultura à época, e as relações produtivas do homem com as culturas e criações.
 


Fonte: O Autor



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