Facebook Twitter RSS

Notícia

Versão para impressão
A-
A+


04/12/2015

Mapeamento inédito mostra uso e cobertura do Cerrado

A equipe multidisciplinar envolvida levou 18 meses para concluir o trabalho

Foto: Embrapa
A Embrapa disponibiliza a partir desta semana no Sistema de Observação e Monitoramento da Agricultura no Brasil (SomaBrasil) mapas inéditos e detalhados do uso e cobertura da terra no Cerrado Brasileiro. Trata-se do TerraClass Cerrado, um dos maiores esforços técnicos já realizados para especificar as condições do segundo maior bioma da América Latina (a Amazônia é o maior) e que ocupa dois milhões de km² ou 24% do território brasileiro. O estudo envolve 1.389 municípios de onze estados mais o Distrito Federal.

A equipe multidisciplinar envolvida levou 18 meses para concluir o trabalho. Os resultados, inéditos, mostram, por exemplo, que a maior parte do bioma Cerrado (54,5%) ainda mantém as características de vegetação natural, ou seja, sem alterações decorrentes da atividade humana. As áreas com pastagens plantadas perfazem 29,4%. A agricultura (anual e perene) totaliza 11,6% da área.

A partir da disponibilização das informações é possível conhecer todas as informações referentes ao uso e cobertura da terra por estado, município, bacia hidrográfica ou por outros recortes geográficos. É possível monitorar e compreender dinâmicas relacionadas aos recursos naturais e produção agropecuária da região.

Os pesquisadores fizeram o estudo a partir de 121 cenas processadas digitalmente do satélite Landsat 8. O pré-processamento e segmentação foram realizados em cada cena isoladamente, gerando um banco de dados geográficos. A área mínima mapeável teve resolução espacial de 6,25 hectares, o que permitiu separar doze classes de uso e cobertura no território: agricultura anual e perene, corpos d'água, mineração, área urbana, pastagens, silvicultura, solo exposto, natural florestal, savânico, campestre e mosaicos de ocupação.

Participaram do trabalho aproximadamente 50 cientistas e técnicos de cinco instituições - Embrapa, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama); Universidade Federal de Goiás (UFGO) e Universidade Federal de Uberlândia (UFU) sob coordenação do Ministério do Meio Ambiente. Pesquisadores e analistas da Embrapa Informática Agropecuária e da Embrapa Monitoramento por Satélite atuaram em todas as etapas do projeto, com destaque para o desenvolvimento metodológico do mapeamento e para classificação das áreas de agricultura anual e perene.

O TerraClass Cerrado foi financiado pelo Programa Iniciativa Cerrado Sustentável, conduzido pelo Ministério do Meio Ambiente. Ele conta com recursos financeiros do Global Environment Facility (GEF) por meio do Banco Mundial e do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio).

O estudo é considerado estratégico também pela relevância do bioma Cerrados. Trata-se da savana mais rica do mundo em biodiversidade, com uma flora de mais de 12 mil espécies e que nas últimas décadas tornou-se um dos maiores produtores de alimentos do mundo com o suporte de tecnologias adaptadas à região. A base de dados amplia a compreensão das dinâmicas ecológicas, econômicas e produtivas, permitindo gerenciar as relações entre pecuária, agricultura e meio ambiente e o aperfeiçoamento de estratégias de conservação.

É no Cerrado que estão localizadas as nascentes das bacias do Araguaia-Tocantins e São Francisco, além dos principais afluentes das bacias Amazônica e do Prata, conferindo uma importância estratégica em termos de disponibilidade de recursos hídricos. Para os especialistas envolvidos no projeto, o desafio é ampliar a produção agropecuária conservando a biodiversidade e reduzindo a pressão pela ocupação de novas áreas naturais por meio de estratégias voltadas ao aumento da produtividade e à integração de sistemas sustentáveis, como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF).

Edson Bolfe, um dos coordenadores do trabalho pela Embrapa, explica que os dados do TerraClass Cerrado devem ser atualizados a cada dois anos. "Eles permitem apoiar com maior precisão as ações de inteligência e macroestratégias relacionadas ao planejamento territorial e políticas públicas, como Plano ABC [Agricultura de Baixa emissão de Carbono] e o Plano de Desenvolvimento Agropecuário do Matopiba do Ministério da Agricultura". Além disso, Bolfe destaca que as informações geradas irão facilitar o monitoramento do uso das terras, a definição de áreas para a implantação de sistemas de ILPF e o estabelecimento de novos cenários da agricultura no Cerrado brasileiro, o que contribuirá, segundo ele, para o desenvolvimento rural sustentável.

"A disponibilização dos dados do TerraClass Cerrado no SomaBrasil permite que a sociedade consulte, de forma fácil e ágil, os resultados do mapeamento, e realize consultas e cruzamentos espaciais", afirma o pesquisador da Embrapa Monitoramento por Satélite, Daniel Victoria, um dos coordenadores técnicos do projeto e responsável pelo SomaBrasil. Ele ressalta que será possível compreender melhor o uso e ocupação do Cerrado e a sua relação com outros planos de informações geoespaciais disponíveis no sistema, como solos, declividade, unidades de conservação, entre outros.

O estudo é importante para ajudar a definir uma política de ocupação sustentável. A criação de políticas públicas voltadas para a sustentabilidade da agricultura pode se apoiar na implantação de tecnologias para o uso mais eficiente das áreas que já estão sendo ocupadas, de acordo com os pesquisadores da Embrapa Informática Agropecuária Alexandre Camargo Coutinho e Júlio César Dalla Mora Esquerdo, que também coordenaram o projeto.

"Apesar de a agropecuária representar pouco mais de 40% do total do bioma, é importante destacar que as atividades antrópicas de baixo impacto e pouco intensivas ou de subsistência, como as pastagens naturais, não foram delimitadas e discriminadas pelo mapeamento, ou seja, estão incluídas na classe natural. Portanto, existe uma área significativa para a intensificação dos processos produtivos com base em princípios de sustentabilidade. Assim, é possível expandir as áreas produtivas com políticas públicas que favoreçam o desenvolvimento em equilíbrio com a conservação do bioma", explica Coutinho.

Com a conclusão desta primeira versão do TerraClass Cerrado, agora são monitorados 73% do uso e cobertura da terra no Brasil, já que Embrapa e Inpe mantêm um sistema de monitoramento da Amazônia a partir de imagens de satélites e tecnologias de geoprocessamento (TerraClass Amazônia).

Os mapas e informações estão disponíveis no site do SomaBrasil e do Inpe.


Fonte: Embrapa



Publicidade


Deixe seu comentário no espaço abaixo ou clique aqui e fale conosco.


Nome: Email (não aparecerá no site):




Comentário(s) (2)


Jose Hess disse:

04/01/2016 às 15:34

Interessante saber de fato quanto de cobertura florestal o quinto maior país do mundo mostra aos ambientalistas e aos ecoloucos que não tem noção da onde vem a nossa produção agropecuária para sustentar nossa população e exportar para o mundo de onde vem recursos para a nossa sustentabilidade econômica. As pessoas que criticam nossa ocupação agropecuária, ou são pessoas irresponsáveis e sem noção do que seja economia, custos e produção de um país como uma nação qualquer, ou são corrompidos pelas ONG´S internacionais que são nossos concorrentes na produção agropecuária e ficam ganhando alguns dólares para fazer criticas e tomar conta da mídia e de outras instituições. Alguns destes seres sabem de onde vem a comida que comem too o dia? Como é que se produz e que o Brasil é o país com maior potencial agrícola do mundo e temos de desenvolver economicamente a nossa população antes de tudo. Ou esses ecoloucos querem que importemos comida de outros países? e da onde vamos ter dinheiro para compra essas comidas? Quem vai pagar para o produtor ficar com a mata em sua propriedade criando bichinhos e plantinhas? Será que é tão difícil pensar em que a produção e a sustentabilidade econômica de um país é através da produção e do desenvolvimento? Que tal se fizermos um cadastro de todos os ambientalistas e cobrar-lhes uma taxa extra de 50% sobre os alimentos que comem da nossa produção? Ou impedi-los de comprara nossos produtos e mandar eles importar? Seria interessante, né? Como que alguém pensa em plantar 100 hectares de soja, milho, feijão com dinheiro emprestado no banco e deixar a produção ser arrasada por insetos par não por agrotóxicos? Qual a alternativa é catar com as mãos os insetos e pragas? Que tal por essas pessoas para fazer isso em vez de criticar e falar coisa de gente sem noção de nada? Por que não criticam a agricultura americana, australiana canadense, chinesa?? Qual é o destas ONG´S e ecoloucos aqui no Brasil? Quem são estes seres que vivem no mundo do nada. Que tal penalizá-los e fazer eles produzirem as áreas sem agrotóxicos e sem desmatar. Se não houvesse a ocupação agropecuária o que seria da nossa população em termos de independência econômica e de comida? Qual o povo que pertence a um país que critica seus produtores??? Só aqui que povo imbecil que somos, né? Pagamos os assassinos, ladrões,traficantes quando estão presos e os que produzem são chamados de destruidores do meio ambiente. O ministério público não age contra os esgotos que despejam toneladas de fezes nas nossa praias, por que eles tem casas l´s, mas ficam multando os agricultores que desmatam áreas para produzir alimentos, quanta idiotice, hem? Crianças estão sendo consumidas por drogas dia e noite e nenhum ambientalista fala nada e ficam enchendo a mídia e sites sobre as questões ambientais , por que será? Por que na questão ambiental as ONG´S arreacadam milhões de dólares e nas outras não ganham nada.

Maria Dilza disse:

07/12/2015 às 08:51

Legal sabermos o quanto temos de cerrado ainda sem o homem "tocar", mais infelizmente não existe sustentabilidade com esse modelo de agricultura utilizando agrotóxico.

Novidades do Site


Quer divulgar sua empresa ou está buscando uma empresa florestal?

As mais lidas


Pensamento

A melhor maneira de realizar os seus sonhos é acordar.
Paul Valéry

Vídeo

Bureau de Inteligência

Análise Conjuntural
Editais
Produções Técnicas

Patentes
Cartilha Florestal
Legislação



Publicidade

Mercado

Cotações
Câmbio
Mapa Empresarial


Enquete

O que você acha da implantação do Cadastro Ambiental Rural (CAR)?

Trará benefícios aos produtores rurais
Trará benefícios ao meio ambiente
Trará benefícios apenas para o governo
Trará benefícios aos produtores rurais, ao meio ambiente e ao governo
Não muda a situação dos produtores rurais, nem do meio ambiente

Receba no seu email

Análise Conjuntural

Estudo e análise de especialista sobre o mercado de florestas.

Newsletter

Receba as novidades do setor de florestas no seu email.

Nuvem de Tags


2084 visitas nesta página

Polo de Excelência em Florestas

Parceiros

AMS  |   ECOTECA DIGITAL  |   EMBRAPA FLORESTAS  |   EPAMIG  |   FAEMG  |   INTERSIND  |   LARF  |   MAIS FLORESTAS  |   MAPA  |   SEAPA  |   SEBRAE  |   SECTES  |   SEDE  |   SEMAD  |   SIF  |   UFLA  |   UFV  |   UFVJM  |   UNIFEMM  |  

Colaboradores

ACELERADORA DE  |   AGROBASE  |   AGROMUNDO  |   APABOR  |   BRACELPA  |   CIENTEC  |   FAPEMIG  |   FINEP  |   IEF  |   LATEKS  |   PAINEL FLORESTAL  |   TRATALIPTO  |   UFV JR. FLORESTAL  |  
Desenvolvido por Ronnan del Rey