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01/02/2020

O CENSO FOTOGRAFA O CAMPO

O Censo Agropecuário de 2017 contém uma imensidão de dados, cabendo ressaltar que os dados, sejam eles quais forem e de onde vieram, exigem ser transformados em informações; as informações em conhecimentos; os conhecimentos em adoção de boas práticas sustentáveis, que devem gerar lucratividade para quem planta, cria, preserva, conserva, abastece e exporta.

O CENSO FOTOGRAFA O CAMPO* - I
O Censo Agropecuário de 2017, fotografando um universo de 5,073 milhões de estabelecimentos agropecuários no Brasil, em 30.09.2017 (IBGE), é uma ferramenta estratégica para conhecer o mundo rural, sendo uma fonte de consultas para medir, planejar, acompanhar, avaliar e corrigir rumos do agro brasileiro; o que deverá ser uma empreitada comum que envolve governos, políticas públicas, empreendedores rurais, mercados e inovação!
Além disso, a exigir fina e recorrente sintonia com os recursos naturais e suas relações diretas com produtores rurais, que se desdobram no acesso aos recursos hídricos, bem como implicam no manejo do solo e da água; conservação da faúna e da flora; tratos culturais, colheitas, armazenagens e transportes. Avalia-se a sinergia no agronegócio do campo à mesa do consumidor!
Sem detalhamentos cerca dos processos contidos nos sistemas agroalimentares e agroflorestais, neste artigo, pode-se aferir como é indispensável essa fotografia panorâmica, e futuras, sobre a agropecuária brasileira e mineira, que somam forças.
O Censo Agropecuário de 2017 contém uma imensidão de dados, cabendo ressaltar que os dados, sejam eles quais forem e de onde vieram, exigem ser transformados em informações; as informações em conhecimentos; os conhecimentos em adoção de boas práticas sustentáveis, que devem gerar lucratividade para quem planta, cria, preserva, conserva, abastece e exporta. Nos cenários rurais brasileiros há demandas, ofertas, adoções, negócios, dedicação, perdas e danos, e custos diversos nas culturas e criações!
Em Minas Gerais, o Censo Agropecuário 2017 registrou 607.557 estabelecimentos agropecuários, entre os quais existem 441.829 (72,72%), que foram enquadrados como familiares por definição da respectiva Lei 11.326. Em termos de área total, com 38,16 milhões de hectares, os 607.557 estabelecimentos estão assim discriminados; de O e 1O hectares; 42,26%; de 10 a 100, 46,42%; de 1OO a 1.OOO, 1O,63%; e de mais de 1.OOO hectares, O,69%.
Embora o fator terra explique apenas 10% dos ganhos de produtividade na agricultura, segundo o Censo Agropecuário de 2006/Embrapa, a terra é a base física da produção agrícola, pecuária e florestal! A área dos estabelecimentos familiares cresceu de 8,83 milhões de hectares em 2OO6 para 9,97 milhões em 2017: mais 1,14 milhão de hectares de terras em Minas Gerais.
Além disso, o Censo 2017 ainda revela a idade estratificada das pessoas nos estabelecimentos agropecuários mineiros; menor de 25 anos; 1,1%; de 25 a menos de 35 anos, 6,5% (teriam reflexos na sucessão familiar?); de 35 a menos de 45 anos, 15,2%; de 45 a menos de 55 anos, 24,2%; de 55 a menos de 65 anos, 25,7%; de 65 anos e mais, 27,2%. Fica claro que os jovens estão saindo do campo. E as cidades que se cuidem!
É de se notar que o pessoal ocupado na agricultura familiar é da ordem de 1,083 milhão de pessoas ou 59,02% do total.
Considerando-se apenas as pessoas com idades entre 55 a mais de 65 anos somam 52,9%. O que significaria na prática? Os 607.557 estabelecimentos ocupavam 1,836 milhão de pessoas, e 65,5% delas com laços de parentescos relativos ao produtor. A direção compartilhada pelo casal de produtores foi de 20% em nível de País, e de 15% em Minas Gerais; compartilhar saberes e experiências são fundamentais na tomada de decisão no campo!
Na gestão dos estabelecimentos agropecuários (MG), na data firmada de 3O de setembro de 2017, emergem encargos financeiros apontados, entre outros; salário pagos, 19,17%; sal, ração e suplementos, 14,98%; adubos e corretivos, 14,90%; compra de animais, 9,24%; combustíveis e lubrificantes, 6,73%; contratação de serviços, 4,51%; e arrendamento de terras, 4,37%; ou 73,9% do total dos encargos.
Contudo, persistem outras despesas regulares a pagar, como energia elétrica, saúde, educação, juros de empréstimos assumidos, amortizações. Os gastos com salários, sal, ração, suplementos, adubos, corretivos, combustíveis e lubrificantes somam 55,78%, movimentando a agroeconomia regional.
Nessa breve tomada fotográfica, a introdução de máquinas agrícolas teve esse comportamento comparativo em Minas Gerais; semeadeiras ou plantadeiras, 23.775 unidades em 2006 e 32.220 em 2017, mais 35,5%; colheitadeiras, 10.888 unidades em 2016 e 24.224 em 2017, avançou 122,4%; adubadeiras e/ou distribuidoras de calcário, 20.551 unidades em 2017 e 42.256 em 2017, evoluiu 105,6%. O número de tratores atingiu mais 49,9% no Brasil, e 77,6% no Estado; aumento de 71.388 unidades.  
Porém, não há como generalizar que a mecanização agrícola predominaria como fator de fuga da mão de obra para as cidades; o êxodo rural é um fenômeno acentuado nesse século XXI, irreversível e crescente desde a década de 1950 em Minas Gerais, reunindo razões socioeconômicas e pessoais!
Colocar o pé na estrada poderá ser também pela necessidade de um futuro melhor e mais qualidade de vida, que se configuram numa força migratória substantiva rumo às cidades!
Noutro ângulo, ressalte-se que somente na horticultura e fruticultura mineiras são gerados 600 mil postos diretos de trabalho nas regiões produtoras, pois continuam sendo dois segmentos agroeconômicos exigentes de mão de obra no campo; Minas produziu 2,32 milhões de toneladas de frutas em 2018(Emater-MG). Em 2019, as exportações de frutas brasileiras, pela primeira vez, alcançaram US$ 1 bilhão (MAPA).
O CENSO FOTOGRAFA O CAMPO  – II*
Nessa caminhada e segundo o Censo agropecuário 2017, os percentuais dos estabelecimentos agropecuários mineiros que usavam os defensivos agrícolas, que essa pesquisa denomina de agrotóxicos, foram os seguintes num horizonte de tempo; 1975, 29,2%; 1980, 38,4%; 1985, 33,8%; 1995, 36,3%; 2006, 27%; e 2017, 33,1%. Média igual a 32,9%, de 1975 a 2017.
A ONU/FAO recomendou, setembro de 2019, que a análise sobre o uso de agrotóxicos na agricultura deve também considerar dois parâmetros essenciais; (1º) a quantidade de agrotóxicos usada por unidade de área cultivada; e (2º) por unidade de produto produzido; o 2º parâmetro é mais determinante, neste caso, portanto, o Brasil ocupa o 57º lugar no Mundo, e não o 1º lugar como tem sido divulgado!
Lembre-se que após a 2ª metade da década de 1970, os ganhos de produtividade da agricultura brasileira e mineira foram devidos em 68% à tecnologia, com base no Censo de 2006, e o defensivo agrícola é apenas um fator de controle das pragas e doenças, indispensável na agricultura, sempre com orientação técnica.  
Para se ter uma ideia; no Brasil, comparando-se 1970 com 2019, a produção de milho cresceu 682,9%, e a da soja, 6.118 %; o que exige controlar as pragas e doenças. Em média, milho e a soja representam 85% das safras brasileiras de grãos. Os ganhos de produtividade na agricultura por unidade de área cultivada reduzem as pressões de demandas por novas áreas agricultáveis, mas não as impede numa perspectiva de tempo!
No entanto, as pesquisas buscam aumentar uso de biodefensivos e estimulam o controle integrado de pragas e doenças, plantio direto, rotação de culturas, Plano ABC, variedades resistentes, entre outras tecnologias geradas e acessadas no campo.
Ressalte-se, por ser esclarecedor, que as plantas cultivadas, principalmente alimentares, são atacadas sistematicamente por bilhões ou trilhões de bactérias, fungos, vírus, insetos sugadores e mastigadores, nematoideos, que podem causar drástica redução da oferta de alimentos, aviltamento dos preços ao consumidor, e bilhões de reais de prejuízos na agricultura, onde a conta o produtor paga!
Em Minas Gerais, a agricultura irrigada, por vários métodos, passou de 530 mil hectares em 2006 para 1,119 milhão de hectares em 2017 (111,2%), o que representa um avanço na prática da irrigação, que poderá permitir até três culturas num mesmo ano agrícola se houver mercado. A área irrigada com pivô-central é de 417.43O hectares (37,3%) da área total. O Estado responde, em média, por 50% da produção brasileira de café, e o Certifica Minas Café é reconhecido internacionalmente!
O Censo Agropecuário 2017 mostra que o acesso do produtor à internet cresceu 2.118%, ou em 200.493 (33%) estabelecimentos agropecuários de um total de 607.557 em MG, comparando-se com o Censo Agropecuário de 2006, podendo evoluir muito mais conectando-se o mundo rural com a Ciência e Tecnologia. 
E mais, decifrando também os cenários dos mercados, desde os municípios, estados, União, e até nos caminhos da exportação; onde os consumidores, soberanos, determinam o que comprar e como pagar, a depender da melhor distribuição da renda per capita que, por certo, acaba estimulando o consumo crescente de alimentos de origem animal e vegetal, saudáveis, nutricionais e sustentáveis; bem como transita pelas ofertas de bioenergias, produtos agroflorestais, agroecológicos, orgânicos, entre outros.
Entre 2OO4 e 2018, as exportações mineiras do agro foram de US$2,9 bilhões para US$ 7,9 bilhões (172,4%); as do Brasil, na mesma comparação, passaram de US$ 39 bilhões para US$ 101 bilhões (159%). Nas exportações totais do Estado, o agronegócio mineiro respondeu por 27,6% em 2014; 32,2% em 2015; 33,2%; 33,6% em 2016; 31,4% em 2017; 36,6% em 2018; e 31,6% em 2019.
Entre 2014 e 2019, o agronegócio mineiro somou um superávit nas exportações de US$ 43,39 bilhões (Seapa). Em 2108, os EUA exportaram US$ 136,5 bilhões em produtos agrícolas (1º lugar/OMC). O Brasil poderá ocupar o 2º lugar mundial no comércio agropecuário, se ajudado pelo destravamento do sistema de transportes! Entre outras condicionantes estratégicas, pode-se aceitar que o crescimento da demanda por produtos, tecnologias e serviços se conectam com o aumento da população, taxas de urbanização e a relação emprego renda.
Em 2010, o Brasil tinha 190,7 milhões de habitantes; com estimativas de 212,1 milhões em 2020; e 218,3 milhões em 2025. Por determinação do Imperador Dom Pedro II, o 1º Censo Demográfico, em 1872, registrou 9,93 milhões de habitantes (IBGE).
Em 2018, Minas Gerais abrigava 1,416 milhão de hectares com florestas plantadas; as empresas associadas investiram R$ 6,3 bilhões em pesquisa, inovação, em florestas e na indústria; e há perspectivas de mais R$ 22,2 bilhões de investimentos até 2022 (Ibá/2019). São promissoras as vendas externas do agronegócio brasileiro em 2020, apesar de eventuais surpresas nos mercados.
 *Engenheiro agrônomo Benjamin Salles Duarte. Jan/2020.
 




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