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14/01/2020

O CRESCIMENTO DAS SAFRAS BRASILEIRAS DE GRÃOS

Não há como dissociar a oferta de grãos, cereais e oleaginosas, não apenas indispensáveis nos cenários diversos dos sistemas agroalimentares, pois também são matérias-primas de base na formulação de alimentos usados na pecuária de leite e corte, suinocultura, avicultura de corte e postura, ao que se somam os eventos socioeconômicos ligados aos sistemas agroflorestais no desempenho do agronegócio brasileiro.

O CRESCIMENTO DAS SAFRAS BRASILEIRAS DE GRÃOS*
Não há como dissociar a oferta de grãos, cereais e oleaginosas, não apenas indispensáveis nos cenários diversos dos sistemas agroalimentares, pois também são matérias-primas de base na formulação de alimentos usados na pecuária de leite e corte, suinocultura, avicultura de corte e postura, ao que se somam os eventos socioeconômicos ligados aos sistemas agroflorestais no desempenho do agronegócio brasileiro.
Deve-se ainda considerar que o crescente mercado “PET,” destinado aos animais de estimação como os cães, gatos, pássaros, peixes, pequenos roedores, que vivem nos milhares de lares brasileiros, determina elevados gastos com alimentação balanceada, incluindo-se os grãos, estimado em 140 milhões de exemplares nesse universo “PET.” Em 2018, o Brasil ocupa o 2º lugar no mercado pet mundial, depois dos EUA (Euromonitor).
Por que crescem as safras de grãos?  Os mercados interno e externo estimulam a agricultura de grãos; demandam muitos insumos agrícolas, boas práticas, pesquisas e tecnologias; fazem circular múltiplos negócios nas regiões produtoras; e tracionam o crédito rural, indispensável, como ferramenta à inovação!
E as safras brasileiras de grãos? Estão numa curva ascendente e expressiva. Assim, em 1980 ofertou 50,8 milhões de toneladas de grãos, destacando-se que a taxa de urbanização era de 67,6%, e acelerando também a progressiva migração dos mercados de alimentos focados nos cenários rurais para as cidades e regiões metropolitanas, à medida em que esse processo migratório demográfico, irreversível, vem sendo mais intenso desde a década de 1950, e acompanhado pelo IBGE.  
E mais, em 1990, 58,2 milhões de toneladas de grãos, com taxa de urbanização de 75,6% (1991); em 2000, 83 milhões toneladas de grãos e taxa de 81,2%; em 2010, 149 milhões de toneladas de grãos com taxa de urbanização de 84,3%. Estimam-se em 2020; 248 milhões de toneladas de grãos (4º Levantamento/Conab), e previsão de 90% dos brasileiros urbanizados em 2030 (IBGE). Esses consumidores concentrados e urbanizados, e as exportações do agronegócio brasileiro num mundo globalizante serão um “NORTE” na formulação de políticas agrícolas e conquista de novos mercados!
Em 2020, se for confirmada a previsão de 212,1 milhões de brasileiros e comparando-se a população de 1980, que era de 119,0 milhões de habitantes, com a estimada em 2020 haveria um crescimento populacional de 78,2% (IBGE). Em 1980, a oferta de grãos foi de 50,8 milhões de toneladas e presumindo-se 248 milhões em 2020 ou mais 338%; suficientes para abastecer e exportar “commodities” agrícolas, e sendo também 4,32 vezes maior do que o crescimento da população brasileira entre o ano de 1980 e 2020!
Os ganhos de produtividade e produção nas culturas e criações, desde a segunda metade da década de 1970, são novamente explicados pela adoção de inovações tecnológicas em níveis de produtores rurais, atendendo regularmente as demandas dos sistemas agroalimentares e agroindustriais, estratégicas, nos caminhos da comercialização, que são muitos!
Noutro ângulo, os ganhos de produtividade por unidade de área cultivada e por unidade animal, embora ainda haja muito o que desenvolver na agroeconomia, contribuem também para a    redução das pressões de demandas sobre os recursos naturais. O pesquisador Eliseu Alves, da Embrapa, estima que já 70% dos ganhos de produtividade na agricultura são devidos à adoção de tecnologia!
A safra de grãos 2019/2020 está fundamentada, por enquanto, em 64,2 milhões de hectares cultivados ou apenas 7,54% do território nacional (Conab), contra a média de plantios de lavouras de 76,8% na Dinamarca; Irlanda, 74,7%; Países Baixos, 66,2%; Reino Unido, 63,9%; e Alemanha, 56,9% (Embrapa Territorial/2017). No Brasil, contudo, ressalte-se que houve substantivos ganhos na oferta interna de grãos e nas exportações de milho, complexo soja, carne bovina, carne de frango, suco de laranja, açúcar, café e derivados, bem como aquecendo as vendas de máquinas e equipamentos agrícolas.
Recorde-se também que a produtividade por unidade de área cultivada associa-se às sementes geneticamente melhoradas; ao manejo correto do solo; uso de fertilizantes e corretivos, precedidos pelas análises do solo; aos tratos culturais na hora certa; aos ganhos de produtividade; à distribuição das chuvas; relação custos versus benefícios; e às práticas de irrigação, onde houver agricultura irrigada. O milho e a soja respondem por mais de 80% das safras brasileiras de grãos (Conab).
O potencial brasileiro é de 30 milhões de hectares irrigados contra os atuais 6,95 milhões de hectares irrigados. A China e a Índia, 70 milhões de hectares cada; EUA, 26,7 milhões; e Paquistão, 20,0 milhões (ANA- 2017). A agricultura irrigada representa apenas 20% de toda terra cultivada no planeta, e fornece 40% da oferta mundial de alimentos (FAO); não há consenso firmado cerca desses dados!
Vale igualmente salientar que a economia agroflorestal continua sendo um braço forte da economia brasileira. Em 2018, segundo Relatório da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá/2019), setor que inclui pisos e painéis de madeira, papel, celulose, madeira serrada e carvão vegetal, houve um crescimento de 13,1% em relação a 2017, e uma receita total de R$ 86,6 bilhões. As exportações atingiram US$ 12,5 bilhões, aumento de 24,1% em relação a 2017, e um novo saldo recorde US$ 11,4 bilhões, logrando a liderança mundial na exportação de celulose. No Brasil, a área total com árvores plantadas é de 7,83 milhões de hectares, gerando 513 mil empregos diretos, mas impactando direta e indiretamente 3,8 milhões de pessoas em 1.000 municípios de 23 Estados da Federação. Minas Gerais ainda lidera o reflorestamento em nível nacional!
Além disso, o mundo precisa de 1,2 trilhão de novas árvores, plantadas em locais subutilizados, que poderiam contribuir para a redução das mudanças climáticas, tema polêmico, estimando-se ainda que a Terra, enquanto planeta, abriga três trilhões de árvores (revista Sciense/07/2019), e que a floresta Amazônica reúne 50% da biodiversidade mundial.
Em 2019, numa série histórica de superávits, as exportações do agronegócio brasileiro foram de US$ 96,78 bilhões e um superávit de US$ 83,0 bilhões. Considerando-se o período de janeiro 2015 a dezembro de 2019, o superávit foi de US$ 398,02 bilhões (Agrostat/MAPA). Portanto, e sem subestimar outros setores econômicos, um desempenho auspicioso!
* Engenheiro agrônomo Benjamin Salles Duarte. 13/01/2020.
 




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CIFlorestas disse:

19/01/2020 às 21:01

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