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10/04/2019

O DESEMPENHO DA AGRICULTURA BRASILEIRA

O DESEMPENHO DA AGRICULTURA BRASILEIRA Embora haja uma longa história sobre a agricultura brasileira, entre conquistas, desafios, pesquisas e estudos, podem-se citar dois exemplos emblemáticos entre dezenas de outros: os ciclos do café desde 1727, e o da cana de açúcar, desde 1533, vigentes e ainda vigorosos, pois o Brasil ocupa nessas duas culturas a liderança mundial em produção e exportação. Houve, sem dúvida alguma, um substantivo desempenho da agricultura brasileira a partir da 2ª metade da década de 1970, pois, antes, o Brasil importava até feijão-preto do México.

O DESEMPENHO DA AGRICULTURA BRASILEIRA – I*
Embora haja uma longa história sobre a agricultura brasileira, entre conquistas, desafios, pesquisas e estudos, podem-se citar dois exemplos emblemáticos entre dezenas de outros: os ciclos do café desde 1727, e o da cana de açúcar, desde 1533, vigentes e ainda vigorosos, pois o Brasil ocupa nessas duas culturas a liderança mundial em produção e exportação. Houve, sem dúvida alguma, um substantivo desempenho da agricultura brasileira a partir da 2ª metade da década de 1970, pois, antes, o Brasil importava até feijão-preto do México.
Além dos mercados estimulantes interno e externo, foram integradas aos processos produtivos das culturas as múltiplas tecnologias, inclusive genéticas, embarcadas e consolidadas “das sementes aos guichês,” uma expressão cunhada pelo saudoso extensionista da Emater-MG, o engenheiro agrônomo (MS) Sérgio Mário Regina.
A complexidade da agricultura exige saberes, talentos humanos e boas práticas sustentáveis, válidas igualmente para as cidades e regiões metropolitanas, à medida de que a urbanização é um processo irreversível, e nunca os urbanizados dependeram tanto do campo! O Brasil coleciona 85% da população vivendo fora dos territórios rurais, sendo que 100 milhões de brasileiros não têm acesso ao saneamento básico (IBGE), fator adverso a determinar recorrentes poluições nas malhas hídricas no campo e à revelia dos empreendedores rurais!
Vale assinalar que a conservação e preservação dos recursos naturais são tarefas solidárias, campo e cidade, que convocam a todos nessa marcha batida rumo ao futuro, e não somente quem planta e cria. Nesses cenários complexos por natureza, registre-se sem demérito de nenhuma outra instituição de ensino e pesquisa brasileira numa série histórica, é fundada também a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em 1972, de conceito internacional, e protagonista nos processos de difusão de inovações tecnológicas nos cenários da agropecuária brasileira nos últimos 47 anos!
Contudo, assinale-se que desde os idos de 1948, a Associação de Crédito e Assistência Rural, conhecida como Acar, hoje Emater-MG, por suas equipes de extensionistas rurais, percorria os municípios mineiros, sem nenhuma assistência técnica, extensão e crédito rural, levando-lhes ciência, tecnologia e boas práticas para milhares de produtores rurais e suas famílias não apenas nas artes de plantar e criar, como também as inovações nos domínios do bem-estar social, enquanto conceito e prática de qualidade vida nas propriedades assistidas, cenários onde ainda viviam 70% dos mineiros.  Minas era rural!
Um sistema pioneiro e inovador, à época, e logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial, que terminara em maio de 1945! Como os EUA não foram invadidos se tornaram a maior potência econômica, agropecuária, militar, científica e tecnológica do pós-guerra, liderança mundial até hoje!
Já no ano de 1949, ou há 70 anos, iniciou-se também a introdução do milho híbrido entre os produtores familiares assistidos diretamente pela Acar e através de demonstrações de resultados, unidades demonstrativas, visitas técnicas, concursos de produtividade, incluindo-se os jovens rurais dos Clubes 4-S (Saber-Sentir-Saúde-Servir) existentes 1952/1974, que reuniram um somatório até 30 mil moças e rapazes quatroessistas, através de projetos assistidos de agricultura, pecuária, artesanato, corte e costura, e economia doméstica!
São fatos históricos neste breve resumo, que não podem ser subestimados ou serem perdidos ao longo do tempo. Um País sem memória não tem história, e aceitar simplesmente a tese de que museu é para quem gosta do passado, poderá expressar uma diminuta visão de Mundo. Questão de escolha!
A agricultura evoluindo também traciona estrategicamente o mercado brasileiro de fertilizantes, calcários, mudas, sementes, máquinas e equipamentos agrícolas, serviços rurais, bem como os sistemas de transportes, armazenamento, portos destinados às exportações, irrigação e drenagem. Ao que se somam as redes de revendas de insumos agropecuários e agroflorestais, pesquisa de ponta e desenvolvimento, adoção de inovações, entre outras condicionantes indispensáveis à agricultura brasileira.
E para mais, estimula o mercado para novas tecnologias de informações voltadas para o planejar e avaliar o agronegócio, que igualmente abrange outras culturas como soja, algodão, cana-de-açúcar, e produtos dos sistemas florestais. Resumindo-se em parte, hoje o Brasil é o primeiro produtor e exportador de café, açúcar, suco de laranja, e primeiros lugares na exportação de carnes de frango, bovina e soja em grão (USDA/Embrapa).
A agricultura colabora regularmente com a política de governo no controle inflacionário, ampliando o acesso aos alimentos mais baratos e gerando superávits históricos nas exportações do agronegócio brasileiro que, em 2018, atingiu a cifra de US$ 81,86 bilhões, dos quais US$ 7,28 bilhões são devidos ao agronegócio mineiro ou ainda responsável por 48,9% do saldo total das exportações comerciais de Minas Gerais.
Entretanto, considerando-se o longo período de 1997 a 2017, o superávit acumulado foi de US$ 1,1 trilhão (Esalq/USP). Não há outro segmento da economia brasileira com esse desempenho agrícola, pecuário e florestal, que abastece o mercado interno e exporta, o que não se revela em detrimento de outros setores socioeconômicos no conjunto das demais atividades públicas e empresariais igualmente estratégicas na oferta de emprego e renda e qualidade de vida para os brasileiros.
O DESEMPENHO DA AGRICULTURA BRASILEIRA – II*
Por consequência, embora seja uma análise tangencial, emergem muitos papéis estratégicos da agricultura mineira e brasileira, para além de produzir grãos, cereais, oleaginosas, produtos florestais, fibras, biomassa e agro energia, embora sejam eles essenciais à economia, mas também os grãos são indispensáveis aos rebanhos de pequenos e grandes animais, e às exportações do agronegócio.
Nesse caminhar, na safra 2018/2019, os EUA e a China devem ofertar 623,6 milhões de toneladas de milho, 56,7% da produção mundial, cabendo 366,2 milhões de toneladas aos EUA ou 33,3% (USDA). No Brasil, a estimativa é de 92,8 milhões de toneladas (Conab- 6º Levantamento), 3º lugar mundial.
O desempenho da agricultura brasileira demanda quantidades crescentes de fertilizantes, e o consumo aparente passou de 1,97 milhão de toneladas em 1975 para 34,46 milhões em 2017 ou mais 1.649% (ANDA). Há igualmente lugar para os produtos orgânicos e agroecológicos, embora não se deva “demonizar” a agricultura em bases empresariais. Uma polêmica desnecessária!
Noutra convergência, o consumo correto de fertilizantes, que depende de análise do solo, não desobriga os tratos culturais, bem como outras boas práticas sustentáveis, pois a agricultura é sinérgica e dinâmica, e os recursos naturais finitos; agregam-se também os fertilizantes destinados à horticultura e fruticultura.
Segundo a Associação Nacional dos Produtores de Milho dos EUA, em condições climáticas favoráveis e manejo otimizados na cultura de milho, os produtores associados que buscaram os níveis máximos de produtividade por hectare cultivado obtiveram excepcionais desempenhos; 472 sacas em 2013 (28.320 kg); 523 em 2014 (31.380 kg); e 553 sacas de milho em 2015 (33.180 kg).
Assim, quanta tecnologia também embarcada numa semente híbrida de milho. A produtividade norte-americana na safra 2017/2018 é de 180,6 sacas (Google); e no Brasil, 80,95 sacas por hectare (Conab). Ainda há muito o que fazer no campo nas culturas e criações nas regiões produtoras, e com os produtores.
O Brasil é o 2º produtor mundial de soja, e o novo Campeão Nacional de Produtividade Máxima de Soja, safra 2017/2018, Gabriel Bonato (RS) colheu 127,01 sacas (7.620 kg) por hectare, em 116 hectares cultivados (CESB). A dobradinha soja e milho domina historicamente mais de 80% da produção de grãos brasileira, que deve atingir 233,7 milhões de toneladas na safra 2018/2019, se não houver queda até o final dos levantamentos elaborados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).  
Havendo políticas públicas, inovações tecnológicas, assistência técnica pública e privada, eficiente e universalizada, crédito rural suficiente, oportuno e assistido, lucratividade para quem planta, cria, conserva, recupera, abastece e exporta, o Brasil, segundo produtor mundial de alimentos- contidos no conceito e prática da segurança alimentar- será estratégico e indispensável para alimentar regularmente 208,4 milhões de brasileiros, até agora, e exportar para 160 países num mundo globalizante para tecnologias, produtos e serviços. Globalizar não tem consenso!
Porém, quem compra também quer vender; lógica de mercados! Noutro cenário, embora não seja economista, pode-se presumir que os pesquisadores e cientistas já devem estar alertados sobre as prováveis mudanças nas relações tradicionais de mercados em decorrência do crescimento dos sistemas de compras e vendas através da internet. Mereceria a formulação de novas hipóteses sobre modelos econômicos nesse viger do século XXI ou não?
Por fim, existe e persiste ainda uma relação umbilical dinâmica e estreita entre a pesquisa agropecuária pública e privada, extensão rural, produtores, empresários, agricultura, pecuária (leite, corte, suínos e aves) indústria, agroindústria, produtos e tecnologias veterinários, equinocultura, comércio e serviços, abastecer o mercado interno e exportar, que determina construir solidariamente objetivos e processos, e avançar mais numa perspectiva de tempo em um País, que é a 9ª economia mundial!
Engenheiro agrônomo Benjamin Salles Duarte* – 03/04/2019.
 




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