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22/01/2020

O FUTURO DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO

O agronegócio, no conceito dos pesquisadores norte-americanos Davis e Goldberg/Harvard (1955), é entendido como a soma total de quatro estratégicos segmentos: (a) insumos para a agropecuária; (b) produção agropecuária básica ou ?dentro da porteira?; (c) agroindustrial (processamento) e (d) serviços. Ao serem somados os setores vegetal e pecuário, com as devidas ponderações, obtêm-se uma análise mais substantiva do PIB do agronegócio (Cepea/Esalq/USP).

O FUTURO DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO*
As projeções de longo prazo são hipóteses a serem confirmadas num mundo em permanentes mudanças econômicas, sociais, estruturais, políticas, educacionais, ambientais e comerciais, num considerável elenco de atendimentos a outras condicionantes, o que determina muito empenho dos governos e da sociedade. 
A tese do longo prazo, que não é nova, passa pelo curto e médios horizontes de tempo, sendo, contudo, uma construção coletiva. E mais, estimulando os pesquisadores, cientistas e analistas na formulação de hipóteses, pois, não pensar no futuro provável poderá se configurar num grave risco, que não deve ser subestimado nem pelos governos e nem pela sociedade!
Segundo o pesquisador Eliseu Alves, fundador e ex-presidente da Embrapa; “O futuro do agronegócio é o futuro da pesquisa!” O agronegócio brasileiro, enquanto processo de mudanças, passando pela agro economia mineira, reúne sete condicionantes estratégicas, entre outras; políticas públicas, mercados interno e externo, urbanização elevada, pesquisas, tecnologias, adoção de inovações nos cenários rurais, e lucratividade para quem planta, cria.
Essas sete condicionantes estratégicas e convergentes seriam emblemáticas nessa marcha do agronegócio rumo ao futuro, mas é preciso internalizar que a necessidade, para muito além do agronegócio, move e moverá a humanidade na conquista de novos conhecimentos e práticas sustentáveis. Alguns estudiosos aceitam que a necessidade seria a base comum de todas as mudanças!
Num horizonte temporal mais recente, embora há séculos e que num crescendo se pratica na agropecuária no Brasil, podem-se avaliar e mensurar, nos últimos 45 anos, os ganhos havidos e por haver no crescente desempenho das culturas e criações, sendo eles referências e preocupando seus concorrentes nas vendas globais dos sistemas agroalimentares, que fazem circular trilhões de dólares anuais nos continentes da Terra!
O Brasil é o produtor mundial de alimentos; e maior exportador (FAO). Também em 2019, o Brasil se tornou o 2º maior exportador mundial de algodão; e consolidou sua posição de 2º maior exportador mundial de milho (Rabobank/2020).
Em 2019, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o Valor Bruto da Produção (VBP) da agropecuária brasileira, a preços correntes, foi de R$ 630,9 bilhões ou US$ 159,92 bilhões, com o dólar médio comercial a R$ 3,945.
O VBP de Minas Gerais atingiu R$ 61,9 bilhões, 1,8% menor que do ano de 2018, em níveis de produtos agrícolas e pecuários, dentro da porteira da fazenda, e sem considerar a agregação de valores e os desdobramentos do agronegócio mineiro no mercado por vias internas e nas exportações para mais de 160 países.
Assim, em 2019, em Minas Gerais, na formação do VBP as culturas responderam por 62,8%, e a pecuária, 37,1%.
Alinham-se mais alguns dados agro econômicos no Estado: o VBP do café foi de R$ 10,9 bilhões, uma variação negativa de 27,6%, por ser uma cultura bienal e safras alternadas; o VBP da soja, com R$ 6,66 bilhões, uma queda de 9% em relação a 2018.
E mais, em relação a 2019, segundo o MAPA; o VBP da cana de açúcar atingiu R$ 6,8 bilhões ou 6,8% maior que em 2018; o do milho, R$ 4,59 bilhões, com um avanço de 11,8% em relação a 2018; o do algodão herbáceo no valor de R$ 1,1 bilhão, experimentando um aumento de 50,3% sobre 2018. O VBP da batata cresceu 112,4% e logrou o valor de R$ 2,79 bilhões. A cultura do feijão atingiu R$ 1,9 bilhão, um desempenho de mais 98,2%. Na cultura do tomate, o VBP somou R$ 1,33 bilhão, avanço de 1,1%; a produção de banana teve um crescimento de 24,3%, e o VBP registrou R$ 1,69 bilhão. Minas é diversificada!
Em 2019, a pecuária mineira obteve um VBP da ordem de R$ 22,9 bilhões, menor 1,4% que em 2018; a oferta de ovos cresceu 24,6% e atingiu RS$ 1,3 bilhão; nos bovinos, o VBP somou R$ 7,4 bilhões, superior em 6,7% relativos a 2018; a produção de frangos de corte teve uma alta de 15,8% e VBP de R$ 4,8 bilhões. O VBP da produção de leite foi de R$ 9,36 bilhões (40,87%) crescendo 1,8% sobre 2018. Minas lidera a produção de leite, com 9,3 bilhões de litros em 2018 (Seapa).
Segundo a Secretaria de Agricultura do Estado, entre julho e dezembro de 2019, nos cenários da safra de grãos 2019/2010, foram desembolsados, por enquanto, R$ 15,11 bilhões, com o crédito rural, dos quais R$ 10,20 bilhões destinados à agricultura, valor 10% superior ao registrado no mesmo período na safra passada, e para a pecuária uma demanda adicional de 24% ou R$ 4,91 bilhões. Mercados, crédito assistido e tecnologias adotadas pelos produtores rurais devem andar sempre juntos!
Num conjunto bem mais amplo de informações creditícias mineiras, por consequência da diversificação das linhas de crédito rural disponíveis, vale ressaltar que no mês de dezembro de 2019 foram desembolsados para custeio da agricultura a cifra de R$ 714,95 milhões, e citando-se; café, com R$ 402,60 milhões; milho, R$ 76,76 milhões; alho, R$ 43,7O milhões; soja, R$ 34,57 milhões; e feijão, com R$ 33,75 milhões num total de R$ 591,38 milhões (82,71%).
O crédito rural para investimentos, entre julho e dezembro de 2019, atingiu um montante de R$ 3,57 bilhões, mais 34% que no mesmo período de 2018.  Em nível nacional, nos últimos seis meses de 2019, o total de crédito rural liberado somava R$ 107,8 bilhões (MAPA). Produzir exige muito dinheiro!
Em 2019, posso presumir, mesmo não sendo uma estimativa oficial e salvo correção futura, que o PIB do agro mineiro poderá totalizar R$ 154,75 bilhões; e do brasileiro, R$ 1,56 trilhão; sendo que agroeconomia continua fundamentando negócios, gerando empregos rurais e urbanos, e contribuindo para a distribuição da renda per capita brasileira! Campo e cidades, sinérgicos!
O agronegócio, no conceito dos pesquisadores norte-americanos Davis e Goldberg/Harvard (1955), é entendido como a soma total de quatro estratégicos segmentos: (a) insumos para a agropecuária; (b) produção agropecuária básica ou “dentro da porteira”; (c) agroindustrial (processamento) e (d) serviços. Ao serem somados os setores vegetal e pecuário, com as devidas ponderações, obtêm-se uma análise mais substantiva do PIB do agronegócio (Cepea/Esalq/USP).
Em 2015, pesquisa do Cepea revelou que em Minas Gerais, nesses quatro segmentos, estavam empregadas diretamente 2,5 milhões de pessoas. Apenas para efeito didático, e não uma análise econômica, em 2015 o salário mínimo era de R$ 788,00, portanto, considerando-se somente os R$ 788,00(SM) x 13 meses x 2,5 milhões de pessoas= R$ 25,61 bilhões anual seria a massa bruta salarial, dinamizando as economias rural e urbana no Estado. Evidentemente nesses cenários de empregos e negócios, milhares de pessoas assalariadas tinham ganhos acima do salário mínimo vigente à época!
Aliás, o futuro do agro brasileiro será também uma conquista que reúne os empreendedores dos sistemas agroflorestais, agregando-se as atividades ligadas à fruticultura, horticultura, triticultura, piscicultura, entre outros, uma jornada e tanto! No entanto, pode-se afirmar com segurança que a oferta regular e acesso aos alimentos e a gestão dos recursos hídricos serão dois dos maiores desafios no viger desse século XXI. A dependência de centenas de municípios com o desempenho do agronegócio ainda é considerável no Brasil!
*Engenheiro agrônomo Benjamin Salles Duarte 20/01/20.
 




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23/10/2020 às 06:00

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