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13/07/2017

Perspectivas e desafios do agronegócio mineiro


Em 1950, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Minas Gerais era predominantemente rural, com uma população total de 7,78 milhões de mineiros, sendo que 5,45 milhões – 70% - habitavam as paisagens rurais, e 2,32 milhões - 30% - viviam nas áreas urbanas. Em 2015, o Estado atinge 20,9 milhões de habitantes, dos quais apenas 16,0% estão no campo ou 3,3 milhões de pessoas. Na medida em que essa migração do rural para o urbano é irreversível, não ainda estabilizada, exige uma reflexão profunda sobre as demandas, ofertas, perspectivas, desafios e novas tecnologias indispensáveis aos ganhos de produção, produtividade e qualidade nas culturas e criações.

A agropecuária teria perdido sua importância estratégica no contexto socioeconômico de Minas Gerais por consequência da urbanização acelerada? Claro que não, pois os atuais 551.617 estabelecimentos rurais, recenseados em 2006 pelo IBGE são, agora e cada vez mais, agro responsáveis pela produção e oferta de alimentos de origem animal e vegetal, energia renovável, biomassa, fibras e açúcar.

E mais, acrescentem-se os produtos de base florestal (madeiras, celulose, papel, papelão, resinas, carvão vegetal, entre outros), que, associados aos mercados interno e externo, movimentam bilhões de reais anualmente, geram milhões de empregos diretos e indiretos, aquecem as economias regionais e requerem que os produtores aperfeiçoem os processos produtivos, a gestão de negócios, adotem as inovações geradas pela pesquisa e cuidem das relações custos/benefícios.

Por outro lado, não menos importante, matéria publicada na revista Vértice - nº 34, do Crea-MG, revelou que dados da Seapa mostram que existem 143 municípios mineiros cuja principal fonte de renda deriva das atividades econômicas da agropecuária, e em outros 417 respondem pela metade da receita municipal. Portanto, 560 deles ou 65,7% dos 853 municípios têm ligação direta com o desempenho do campo. A Faemg estima em 43,0% a contribuição do agronegócio na formação do PIB estadual e a geração de 3,7 milhões de empregos diretos e indiretos.  

Além disso, o produtor rural, e outros agentes de mudanças, tem que zelar pelos recursos naturais (água, solo, faúna e flora) no contexto das bacias hidrográficas e agregar as boas práticas num vasto universo ditado pela complexidade da natureza, que foi moldada ao longo de bilhões de anos entre mudanças e adaptações. A natureza é ciência pura e descarta, com raro talento, as intervenções humanas que não se fundamentam nos conhecimentos científicos e tecnológicos acumulados ao longo de séculos de pesquisas e desenvolvimento. Outrossim, as culturas nas paisagens rurais sequestram milhões de toneladas de gás carbônico (CO2) indispensáveis à fotossíntese e à oferta de alimentos, e são as grandes áreas coletoras de chuvas para múltiplos usos no campo e nas cidades.

Nesses e noutros cenários dinâmicos e complexos, transita o agronegócio mineiro, liminarmente vinculado às exigências dos consumidores por qualidade, regularidade de oferta, preço, acessibilidade, no eixo da rastreabilidade e sustentabilidade ambiental. Uma questão de tempo.

E os fenômenos climáticos que afetam a agropecuária não raro, caprichosos? Não existe risco zero em nenhuma atividade humana nas cidades, e muito menos no campo, onde cresce também a necessidade de consolidar a agricultura irrigada num país de tradição de sequeiro. A agricultura irrigada, no que lhe cabe e numa perspectiva de mercados, ainda pode evoluir como conceito e prática, embora se reconheçam os avanços havidos em níveis das propriedades rurais de Minas Gerais, que abrigam um potencial irrigável de até 2,5 milhões de hectares contra os atuais 525 mil hectares irrigados (2011). O Censo Agropecuário de 2006 (IBGE), ainda vigente, revela que a área irrigada brasileira soma 4,45 milhões de hectares num potencial de 30 milhões de hectares.

Vale lembrar que a área irrigada nos EUA é de 27 milhões de hectares (CIA World Factbook- junho de 2015).
A Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e Parnaíba (Codevasf) teve e tem um papel muito importante na difusão das práticas de irrigação; irrigação por gravidade, aspersão, pivot central, inundação controlada, gotejamento, inclusive na fruticultura em Minas Gerais, sabendo-se que um projeto de irrigação, dependendo da seleção de culturas, pode permitir até três colheitas numa mesma área de cultivos.

Em 1950, o Brasil irrigava apenas 60 mil hectares (IBGE). Em 2010, de acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA), chegamos a 5,54 milhões de hectares irrigados, dos quais 2,6 milhões foram usados na produção de arroz, soja, milho, feijão e trigo ou seja 47,0% do total.
Por outro lado, continua com validade plena a tese de que para conhecer é preciso medir e avaliar numa perspectiva de tempo. Uma das ferramentas estratégicas do planejar se configura nas “Projeções do Agronegócio Mineiro/2016-2026”, que serão corrigidas em 2017, elaboradas pela Secretaria de Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Seapa), com o apoio indispensável de diversos colaboradores e da Embrapa.

Na verdade, é também presumível que os perfis da produção da agropecuária mineira poderão ser afetados também pelo poder de compra dos consumidores, com suas exigências nutricionais e preferências alimentares, bem como que nesses cenários avancem também a agricultura orgânica e a agroecologia, onde ambos devem se submeter às regras do mercado ao conciliarem preços acessíveis, oferta regular e qualidade assegurada desses alimentos alternativos.

O Sul de Minas revelou-se exemplar na produção de azeite de padrão internacional e a Zona da Mata mineira produziu apenas 2,6 % do milho na safra agrícola 2016/17(Conab/10º Levantamento). Os grãos estão se deslocando para o Alto Paranaíba, Triângulo Mineiro e Noroeste. Em nível nacional, a Conab revela uma produção de 237 milhões de toneladas de grãos, um record histórico, graças aos mercados, às chuvas bem distribuídas e ampla adoção de tecnologias. Grãos são também sinônimos de proteínas nobres como o leite, as carnes e os ovos.

Entretanto, guardadas as devidas proporções desse questionamento, sempre haverá uma pergunta adequada aos “Centros de Inteligência”; para onde deverá caminhar o agronegócio mineiro no comércio por vias internas e nas exportações? É presumível que as perguntas poderão ser maiores do que as respostas, mas esse deve ser o exaltado caminho do desenvolvimento sustentável nos campos econômico, social, no manejo correto dos recursos naturais e fundamentado também nas tecnologias de informação e nos avanços extraordinários dos conhecimentos humanos.

Segundo a Seapa, entre 2012 e 2016 o superávit acumulado nas exportações do agronegócio mineiro foi de US$ 49,85 bilhões e hoje exporta para 160 países. Entre janeiro e julho de 2017, o agronegócio mineiro exportou US$ 3,95 bilhões, teve um superávit de US$ 3,68 bilhões, e cresceu em valor exportado mais 13,3%, relativamente ao mesmo período em 2016.

O pesquisador Eliseu Alves, Engenheiro Agrônomo, ex-presidente da Embrapa, presume o seguinte cenário sobre o futuro da agricultura ou seja; “a urbanização é uma fatalidade e não é mais rápida por falta de trabalho nas cidades e outras complicações; haverá um meio rural próspero, com muito pouca gente nele morando; a agricultura, poderosa, caminhará para a mecanização e robotização, segundo o modelo industrial; emprego, sim, mas sofisticados; permanecerá cada vez mais importante alimentar o nosso povo e gerar excedentes exportáveis; será comandada das cidades brasileiras e do exterior.

E mais, a agricultura será especializada em nível de estabelecimento e regionalizada; quanto maior o volume de produção, mais baixo o custo de produção. A terra que explica pouca oferta, explicará menos ainda, e a pequena produção, não cooperativada, virará agricultura de subsistência e sustentada pelos programas de transferência de renda”.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU- junho de 2017), estima-se que o mundo terá 8,6 bilhões de habitantes em 2030, ou seja mais 1,3 bilhão nos próximos 13 anos, ou ainda novos 100 milhões de pessoas por ano, que se devem juntar aos 7,3 bilhões que já vivem nos continentes da Terra. Haja minimamente pesquisa, água, alimentos, energia e logísticas do campo às mesas dos consumidores e novas oportunidades para o Brasil.


Fonte: Benjamin Salles Duarte - Engenheiro Agrônomo



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