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30/12/2009

Projeto Silvipastoril um Bom Exemplo.

Um projeto simples e ao mesmo tempo benéfico ao meio ambiente é o sistema silvipastoril, em que numa mesma área o gado é criado em meio a árvores, resultando na produção conjunta de madeira e carne e evitando erosões ao solo.

Um projeto simples e ao mesmo tempo benéfico ao meio ambiente é o sistema silvipastoril, em que numa mesma área o gado é criado em meio a árvores, resultando na produção conjunta de madeira e carne e evitando erosões ao solo. Em Mato Grosso do Sul, esse tipo de consórcio ainda é desenvolvido por poucos pecuaristas, talvez pela demora no crescimento das árvores e rendimento em longo prazo.

A integração do sistema “lavoura, pecuária e floresta” é desenvolvida experimentalmente desde 2004 na Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Gado de Corte, em Campo Grande. O segundo experimento começou em 2007.

Conforme o engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa, Valdemir Antônio Laura, o objetivo inicial do sistema era garantir a produção de sombra para o bem estar dos animais. Ele explica que a região Centro-Oeste tem grande parte do seu território formado por cerrado e apresenta temperaturas muito acima das de conforto térmico ao gado.

Com sombra no rebanho, o gado sente menos calor e automaticamente não consome muita energia. Dados de pesquisas feitas em outras regiões em que o consórcio é implantado apontam que a fertilidade do gado é alterada, resultando em taxas significativas de prenhes, aumento da libido do touro, interferência no cio das fêmeas e até mesmo no peso dos bezerros.

Outro aspecto interessante ao animal que tem sombra disponível é a diminuição no consumo de água, que cai até 20%. Uma vaca costuma beber cerca de 50 litros de água por dia e pelo sistema, ela poderá beber dez litros a menos. 

No entanto, antes da junção do gado com as árvores, é necessário que o agricultor plante a floresta, geralmente usando o eucalipto, que é a espécie florestal que cresce com mais rapidez. A partir de um ano, o gado já pode ser colocado na área.

É necessário que antes da chegada do gado, as árvores estejam medindo 8 centímetros de diâmetro. Caso contrário, os próprios animais destroem a árvore.

De acordo com Valdemir, a implantação do sistema garante maior produção de carne e ajuda na conservação do solo e da árvore, evitando significativamente casos de erosões, principalmente as causadas pela chuva. Com isso, a pastagem deixa de ser degradada, se tornando fértil e protegida por folhas.

Mas, para que o sistema seja eficaz, o engenheiro agrônomo ressalta que é necessário a plantação de quantidade adequada de árvores, afinal, se for plantado um número muito grande, a produção pode cair e prejudicar o pasto e em casos de plantio de poucas árvores, haverá menos sombra.

No primeiro momento da experiência, são avaliadas de 180 a 1,3 mil árvores por hectare, o que identifica uma floresta pura. A densidade e o crescimento das árvores, produção de capim, umidade relativa do ar e velocidade do vento também são analisados.

Na sequência, o agricultor precisa pensar na diversificação da produção, que pode interferir diretamente em vários aspectos, como: produção de carne, safra, entressafra, preço e saúde do boi. 

A quantidade de gado na área depende do tamanho do pasto. No entanto, o sistema permite de 200 a 300 árvores por hectare, que é um número suficiente para preencher o sombreamento. 

Não é todo pecuarista que arrisca implantar esse sistema em sua propriedade, afinal, a receita só começa a girar depois de um período de três a quatro anos, embora quando a floresta completa um ano e o gado é colocado já seja possível obter lucro. Por isso é que o sistema vem sendo desenvolvido com mais intensidade nos estados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

A colheita do eucalipto, por exemplo, acontece entre sete e oito anos. Mas se o mercado estiver em queda, a árvore pode continuar plantada no local a custo zero, só engrossando. Automaticamente o valor dela aumentará.

Custos - O custo para a implantação do sistema silvipastoril não é alto e depende da quantidade de árvores, porém o principal limitante é o tempo. 

Atualmente, para o plantio de um hectare de floresta pura de eucalipto, o pecuarista teria de investir de R$ 2,5 mil a R$ 3 mil por hectare, num espaço com 1,3 mil árvores plantadas. Se forem plantadas 400, o custo aproximado cai para R$ 1,2 mil. 

As vantagens são muitas, mas para que não ocorra prejuízo na produção, deve ser feito um planejamento. “É necessário escolher a espécie certa, fazer a adubação correta, matar as formigas e implantar um asseio para evitar a propagação do fogo em casos de incêndio”, destaca Valdemir.

No Brasil, o maior projeto envolvendo sistema silvipastoril é desenvolvido pela empresa Votorantim no cerrado de Minas Gerais, numa área de 12 mil hectares. Em Mato Grosso do Sul, no município de Três Lagoas, recentemente o sistema foi lançado pela VCP (Votorantim Celulose e Papel) como uma forma de chamariz e incentivo aos pecuaristas locais.

Rentabilidade - O pecuarista Francisco Maia, presidente da Acrissul (Associação de Criadores de Mato Grosso do Sul), começou a desenvolver o sistema há três anos, tendo colocado o gado na área há um ano e meio. 

Segundo ele, o sistema é vantajoso, pois agrega valor ao negócio e multiplica o ganho. “Mesmo assim, a rentabilidade da madeira é maior que a da pecuária”, garante.

Maia classifica o sistema como sustentável e acrescenta que os lucros com a produção são variados, já que a madeira serve para produzir energia, ser vendida a indústrias moveleiras e também a usinas.

Em sua propriedade, o Rancho Cayman, o sistema é desenvolvido em aproximadamente 500 hectares.

Em proporções maiores, numa área de 1,4 mil hectares destinada única e exclusivamente ao sistema silvipastoril, o diretor do Grupo Mutum, Geraldo Mateus Campos Reis, começou sua produção há quatro anos. 

Na fazenda Ilha da Mata, em Ribas do Rio Pardo, onde o sistema é implantado, a criação do gado com árvores permite a entrada de capital mais cedo. A informação é do pecuarista Moacir Reis, filho de Geraldo.

Para ele, manter o gado com mais de uma fonte de renda se torna mais rentável, mesmo que os lucros sejam obtidos em longo prazo. 

Com terras altamente férteis, Mato Grosso do Sul vem se destacando no cenário do sistema silvipastoril por começar a engatilhar suas primeiras produções. A Embrapa Gado de Corte tem um papel de destaque nesse cenário, pois através de seus experimentos tem difundido a idéia de um sistema totalmente ambiental e produtivo, em que o principal objetivo é garantir o amplo desenvolvimento do solo no consórcio “lavoura, pecuária e floresta”.


Fonte: Portal Madeira Total/ Campo Grande News



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Comentário(s) (7)


jose disse:

28/10/2014 às 00:32

Tenho 8 alqueires de mata,gostaria de adquirir o credito de carbono ,como faço para conseguir?

Izauri Gomes de Medeiros disse:

14/05/2013 às 20:47

Boa noite, gostei muito do projeto, por isso vou implantar na empresa onde trabalho, quero começar com aproximadamente, 2000 hs. Tem mais detalhes do projeto para eu trabalhar melhor? O espaço entre as linhas é melhor 3x3 m, sendo três linhas e depois deixa 14 mst, de espaçopara começar novamente.

Um abraço

Izauri

ana paula guedes cabral disse:

10/12/2012 às 00:48

boa noite ,
quero invetir no projeto SILVIPASTORIL, quero sabe quantos alqueres deve ser plantado de TECA para 1.200 vacas . GRATA ANA PAULA

JOAO PAULO ANTONIOL DA ROCHA disse:

08/08/2012 às 10:03

sou aqui de chapadao do sul, tecnico em uma empresa Agropecuaria, e trabalho com pesquisa e elaboraçao de projetos, buscando informações para posterior diversificação de sistemas produtivos dentro da propriedade.

- Teria um material disponivel , retrata um exemplo do setor silvopastoril , de quanto investe em uma hectare, as práticas, metodologias de trabalho, retorno financeiro?

obrigado pela atençao , um bom diaa....

jose pires fiorin disse:

21/07/2012 às 20:38

Gostei muito do sistema. Ja tinha este plamo, pois tenho 18 hectares formados com 25 mil pes de eucaliptos e o restante arvores nativas.Gostaria de saber se cabe a pecuaria semi intensiva e como faze-la.Se for possivel me mande informaçoes ou indique um prodissional na area. Obrigado. Jose. Sitio pires. fone-16-81247754-----36329722.

Alessandro Ferreira de Souza disse:

22/02/2012 às 21:08

Boa noite. Primeiramente parabenizar pela reportagem "Projeto Silvipastoril um bom exemplo", estou desenvolvendo meu TCC, no curso de Aronegócio e gostaria se possível receber mais informações a respeito do sistema Silvipastoril.

Paulo Sezar Bedin disse:

06/02/2012 às 22:07

Muito bom. Mas se tiver mais informação sobre silvipastoril, pode me ajudar para a minha monografia, em gestão ambiental.Mande por Email.

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