Facebook Twitter RSS

Notícia

Versão para impressão
A-
A+


23/09/2011

Sociólogo e coordenador de organização pensa que monocultivo florestal provoca perda de terras, desertificação de áreas rurais e seca de cursos d'água

Monoculturas como a do eucalipto não promovem a biodiversidade e servem só a interesses econômicos.

Foto: Luiz Nogueira/ArquivoRBA

 

 

Por: João Peres, Rede Brasil Atual

 São Paulo – Movimentos sociais em todo o mundo se uniram para debater os efeitos negativos criados pelas florestas plantadas. Este ano, o Dia Internacional de Luta contra os Monocultivos de Árvores coincidiu com o Dia da Árvore (na quarta (21)), que recebeu do Congresso Nacional a homenagem de um novo passo para mudanças no Código Florestal brasileiro.

 

No Brasil, a grande lembrança diz respeito ao plantio de eucaliptos. A Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa) estima em 6,3 milhões de hectares a área de florestas plantadas no Brasil – 4,5 milhões em eucalipto e 1,8 milhões em pinus. Estima-se que se possa avançar a até doze milhões de hectares em 2020.
“Onde há monocultura de eucalipto em larga escala os córregos secam, não tem geração de trabalho e de emprego, não se cria uma economia local, foge a caça, a pesca desaparece”, lembra o sociólogo Marcelo Calazans, coordenador em Espírito Santo da Fase, uma organização não governamental que luta por direitos sociais.
Integrante da Rede Latino-americana contra o Monocultivo de Árvores (Recoma), ele aponta que comunidades quilombolas e camponesas foram sendo forçadas a deixar o campo ao longo das cinco décadas em que há um cultivo em larga escala de eucalipto no país.
A história repete o que foi contado na edição 46 da revista do Brasil. As florestas plantadas não demandam muitos trabalhadores e, para serem cada vez mais lucrativas, precisam crescer em curtos intervalos de tempo. Para isso, o atalho preconiza o uso intensivo de adubagem química e agrotóxicos, o que acaba por contaminar cursos d'água, matar animais e prejudicar a saúde da população ao redor. Além disso, os eucaliptos exigem uma grande quantidade de água: cada dois gramas de árvore demandam um litro do líquido até o momento de corte, o que resulta no secamento de córregos e rios. 
“Reflorestar com eucalipto é uma grande mentira”, lamenta o sociólogo, que entende que se trata de um plantio sem vida. “Para o cidadão, a floresta indica um lugar de diversidade. De várias espécies de árvores de outras espécies vegetais, de existência de povos tradicionais, e também de animais.”
No caso brasileiro, o momento serve também para refletir sobre as possíveis mudanças no Código Florestal. O Congresso debate uma série de alterações que, sob o argumento da produtividade e da atualização das normas à realidade nacional, enfraquece a proteção dos principais biomas mediante a concessão de anistias a desmatadores e de redução das exigências de preservação. No Dia da Árvore, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou o texto-base sem muitas alterações em relação ao que foi aprovado na Câmara. 
“Esse Código Florestal não serve mais para a língua das grandes corporações. Ele se tornou um obstáculo porque denuncia um passivo de crimes e porque impede a expansão desenfreada”, sintetiza Calazans, em referência ao perdão que será concedido a todo o desmate realizado no país até 2008. 
Ele lamenta a atuação que têm Legislativo, Executivo e Judiciário nos três níveis da federação em relação aos eucaliptos. “Temos um histórico que permite uma avaliação dos impactos sobre a cadeia produtiva, o meio ambiente e sobre a sociedade civil”. Há poucas condenações judiciais a respeito da derrubada de mata original para o plantio de árvores. No sul da Bahia, empresas sofreram sentenças milionárias por devastar setores de Mata Atlântica, mas os recursos ainda não se esgotaram. No Vale do Paraíba, interior paulista, a Defensoria Pública estadual conseguiu paralisar o plantio em algumas cidades em caráter liminar, mas o julgamento do mérito não desperta grande afã. “Toda a indústria da madeira não aparece como monocultura. Eles se apresentam como plantadores de florestas.”
Para essa leitura colaboram não apenas as leis estaduais e nacionais, mas a visão da Organização das Nações Unidas (ONU). A FAO, agência da ONU para a alimentação, entende os bosques como qualquer área superior a meio hectare que tenha árvores de altura superior a cinco metros e cobertura vegetal superior a 10%. “É uma definição meramente matemática”, pontua o coordenador da Fase, que acredita que esta leitura serve a que as florestas plantadas possam servir como justificativa para o desmatamento. 
O Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais enviou uma carta à FAO cobrando a definição de um novo critério que leve em conta a complexidade dos ecossistemas, contemplando a existência da fauna e de povos ancestrais. 
 


Fonte: Rede Brasil Atual



Publicidade


Deixe seu comentário no espaço abaixo ou clique aqui e fale conosco.


Nome: Email (não aparecerá no site):




Comentário(s) (7)


Jorge disse:

29/09/2011 às 20:36

"sintetiza Calazans, em referência ao perdão que será concedido a todo o desmate realizado no país até 2008".
Calazans te desafio a mostrar onde a citação acima está no código.

Luiz Alberto Batista de Morais disse:

29/09/2011 às 15:17

Ainda bem que este sociólogo só "pensa"... O que já foi demais.

RONALDO MARAN disse:

29/09/2011 às 14:47

Prezados editores e Marcelo Calazans, me envie um só, não estou pedido dois, mas um só trabalho CIENTÍFICO que prove que ?Onde há monocultura de eucalipto em larga escala os córregos secam, não tem geração de trabalho e de emprego, não se cria uma economia local, foge a caça, a pesca desaparece? e que "Além disso, os eucaliptos exigem uma grande quantidade de água: cada dois gramas de árvore demandam um litro do líquido até o momento de corte, o que resulta no secamento de córregos e rios" conforme afirmação do senhor no texto acima. Caso o senhores se interessem tenho mais de um artigo que comprovam o contrário. Senhor Marcelo Calazans, faça o curso de engenharia florestal e obtenha experiência para quem sabe um dia o senhor entenda o que é uma FLORESTA PLANTADA. Não faça "chacota" de um setor que enaltece as florestas e demais forma de vegetação através de seus engenheiros florestais e o código florestal. Um forte Abraço. RONALDO MARAN, ENGENHEIRO FLORESTAL, BARRA DO GARÇAS/MT, 29 DE SETEMBRO DE 2011

Ricardo Elói de Araújo disse:

29/09/2011 às 14:22

Ele não sabe o que diz. Ele não tem conhecimento de causa. Ele não sabe que existe, ou não entende a política florestal brasileira. De acordo com tal política, todo imóvel rural deve manter uma reserva legal de 20% de sua área total e as áreas de preservação permanente, ambas instituídas para desempenhar funções ecológicas distintas. O restante da área é utilizado para a implantação e condução de algum projeto agrossilvipastoril. É o equilíbrio entre a necessidade de se preservar os recursos naturais e a necessidade de se produzir alimentos, matéria prima para as indústrias e fonte energética. O eucalipto é uma cultura que tem por objetivo fornecer energia (lenha e carvão) e matéria prima para as indústrias de celulose e papel e moveleira, dentre outras. De fato, o eucalipto não pode substituir as florestas nativas no desempenho de funções ecológicas, mas reduz a pressão sobre as mesmas e sua existência não causa tantos impactos ambientais negativos pela forma como os reflorestamentos são conduzidos atualmente. Vale lembrar ainda do controle que os órgãos ambientais exercem através do Licenciamento Ambiental. Além das reservas legais e das áreas de preservação permanente, existem ainda inúmeras unidades de conservação no Brasil. Este modelo de desenvolvimento sustentável pode não ser perfeito, mas é uma saída que temos para assegurar o equilíbrio entre preseservação ambiental e desenvolvimento que pode ser aprimorada quando necessário.

Benedito Umbelino de Souza Neto disse:

27/09/2011 às 20:23

Cada pessoa devia discutir e dar opinião em assuntos que tivesse conhecimento, então pergunto, um engenheiro florestal pode emitir uma receita medica? Um medico pode emitir um receituario agronômico? Em que embasamento pode um sociólogo falar de florestas e pelo meu conhecimento ele mostra que não entende nada,nem de floresta, nem de homem do campo, eu como homem do campo sem muito estudo posso afirmar que o exodo rural tem por causa a falta de de condições dignas de vida no campo, falta escola, falta assistencia médica, falta transporte, falta emprego ,falta conforto, então agente busca essas regalias na cidade, em pleno século 21 ainda se fala em trabalho braçal no campo isso é atraso, pergunto ao Dr.Sociólogo se ele anda de carro?,em sua casa existe moveis de madeira? ele anda de avião? se disser sim, ele é um dependente dessas plantações que diz tão impactante.

José Hess disse:

27/09/2011 às 18:16

A bem da verdade o que tem haver Sociólogo e Coordenador de organizaçõs socias(MST), com as questões florestais do Brasil,já pensou como engenheiro florestal qual sería meu conhecimento nas questões sociais do Brasil? Ora, estes senhores que vão cuidar de suas profissões se é que existem,que se preocupem com as favelas brasileiras, com o caos hospitalar, com o tráfico de droga nas escolas, e com a criminalidade no Brasil, que das florestas nós engenheiros florestais cuidamos, e graças à nós e nossa engenharia que temos papel, jornal, papel higiênico, lápiz,celulose,madeiras para os móveis, carvão para as usinas moldarem os aços e ferros de nossa industria,que temos um parque fabril que gera milhões de empregos e renda.Mas por que eles não falam da monocultura da soja, do milho da pecuária,e de outras culturas, por que que esses incultos vivem se metendo em assuntos florestais, quanta ignorância desse povo, por favor respeitem à nossa profissão, se plantar florestas, fosse errado nós seríamos os primeiros à não concordar não é?O Brasil ainda tem um segmento muito atrazado, aqueles que acham os médicos errados, os engenheiros também mas vivem dependendo de nossa profissões.

Glaucio Marcelino Marques disse:

26/09/2011 às 11:07

Felizmente o nosso amigo Marcelo , só pensa , pois pelo fato de não ser um especialista em florestas plantadas , sua opinião não repercurte o resultado que ele espera . O eucalipto hoje tem muitos inimigos , em sua grande maioria , leigos , oportunistas e desinformados . É preciso fundamentar bastante sobre o assunto antes de atirar as pedras . Creio que as opiniões de membros de ONG,s são válidas desde que embasadas em conhecimentos ténicos . Não me lembro ter visto , algum curso de Sociologia ( nada contra o curso ), que tenha em sua grade algo referente à Silvicultura ou coisa similar. Isto é uma pena pois assim poderíamos ao menos sentar e discutir sobre o assunto .
Abraços a todos .

Novidades do Site


Quer divulgar sua empresa ou está buscando uma empresa florestal?

Pensamento

A melhor maneira de realizar os seus sonhos é acordar.
Paul Valéry

Vídeo

Bureau de Inteligência

Análise Conjuntural
Editais
Produções Técnicas

Patentes
Cartilha Florestal
Legislação



Publicidade

Mercado

Cotações
Câmbio
Mapa Empresarial


Enquete

Do ponto de vista técnico e operacional, qual é a melhor unidade para comercialização da madeira para carvão?

volume de madeira sólida (metro cúbico)
tonelada de madeira
metro estéreo ou metro de lenha
unidade ou peças de madeira

Receba no seu email

Análise Conjuntural

Estudo e análise de especialista sobre o mercado de florestas.

Newsletter

Receba as novidades do setor de florestas no seu email.

Nuvem de Tags


2715 visitas nesta página

Polo de Excelência em Florestas

Parceiros

AMS  |   ECOTECA DIGITAL  |   EMBRAPA FLORESTAS  |   EPAMIG  |   FAEMG  |   INTERSIND  |   LARF  |   MAIS FLORESTAS  |   MAPA  |   SEAPA  |   SEBRAE  |   SECTES  |   SEDE  |   SEMAD  |   SIF  |   UFLA  |   UFV  |   UFVJM  |   UNIFEMM  |  

Colaboradores

ACELERADORA DE  |   AGROBASE  |   AGROMUNDO  |   APABOR  |   BRACELPA  |   CIENTEC  |   FAPEMIG  |   FINEP  |   IEF  |   LATEKS  |   PAINEL FLORESTAL  |   TRATALIPTO  |   UFV JR. FLORESTAL  |  
Desenvolvido por Ronnan del Rey