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23/05/2020

UMA BREVE HISTÓRIA DA ECONOMIA LEITEIRA

No Brasil, a origem do leite para consumo humano e utilização nas indústrias está relacionada com a introdução do gado europeu por Martim Afonso de Souza (32 cabeças em 1532) na Capitania de São Vicente (SP), durante o período colonial. O processo de pasteurização (Pasteur-1864) foi sugerido para ser usado no tratamento do leite em 1886 pelo químico e microbiologista alemão Franz von Soxhlet.

UMA BREVE HISTÓRIA DA ECONOMIA LEITEIRA*
O pesquisador e historiador Leopoldo Costa, autor do livro “A História do Leite,” registra que achados históricos mostram evidências da domesticação do gado na Mesopotâmia há 8.000 anos a.C, inicialmente para fornecer carne e força animal. Quanto ao registro da produção de leite, pinturas rupestres datadas de 5.000 anos a.C foram encontradas em Dahara/Líbia e mostram vacas confinadas para produção de leite e queijo, embora o leite de vaca, cabra e ovelha fossem consumidos durante a pré-história.
Na Idade Antiga (3.500 a.C - 476 d.C) há citações do consumo e utilização do leite de égua no preparo de pão com grãos cozidos e saboreado ainda quente no Egito (Heródoto 484-425 a.C).
No Brasil, a origem do leite para consumo humano e utilização nas indústrias está relacionada com a introdução do gado europeu por Martim Afonso de Souza (32 cabeças em 1532) na Capitania de São Vicente (SP), durante o período colonial. O processo de pasteurização (Pasteur-1864) foi sugerido para ser usado no tratamento do leite em 1886 pelo químico e microbiologista alemão Franz von Soxhlet.
Em 1918, o bioquímico norte-americano Elmer Verner McCollun, pioneiro na vitaminologia, havia declarado o leite de vaca o mais importante dos “alimentos protetores” e recomendando não faltar na nutrição humana de crianças e adultos, devido seu alto valor em sais minerais, vitaminas e proteínas.
E mais, a indústria de laticínios no Brasil teve início em Barbacena(MG), no ano de 1888, com a inauguração da Fábrica de Laticínios “Mantiqueira” de propriedade do médico e fazendeiro Dr. Carlos Pereira de Sá Fortes, pioneira no País e na América Latina, na fabricação de queijos e manteiga, com importação de maquinário e tecnologia holandesa. Dados históricos no ano de 1300 registram cerca de 70 mil pequenas propriedades holandesas dedicando-se à produção de leite e queijo (Leopoldo Costa – História do Leite).  
Faz-se justo registrar, nessa breve sequência histórica, a criação Instituto de Laticínios “Cândido Tostes” em Juiz de Fora (MG) no ano de 1935, pioneiro no Brasil e na América Latina, há tempos vinculado à Epamig/Seapa, e atuando na sólida formação de técnicos laticinistas, qualificados, e prestando serviços nas empresas públicas, privadas, governos, consultorias, pesquisa, ensino e extensão! Cândido Tostes (1842-1927), bacharel em Direito, foi considerado, à época, o “Rei do Café” de Minas Gerais (Epamig).
Nesses cenários, em 1976 é criado o Centro Nacional de Pesquisa de Gado de Leite em Coronel Pacheco (MG), sendo transferido para Juiz de Fora a sede administrativa e de pesquisa em 1997, já se chamando Embrapa Gado de Leite (mas continuando em Coronel Pacheco o campo experimental José Henrique Brush, homenagem que lhe foi prestada em 2010), constituindo-se, portanto, num “Centro de Excelência” na pesquisa e desenvolvimento de tecnologias para a economia leiteira do Brasil.
E mais, Minas Gerais é o 1º produtor nacional de leite e seus derivados, implicando num conjunto dinâmico de atividades aliadas às exigências quanto aos mercados, pesquisas, relação custo/benefício, difusão e adoção de inovações, plataformas digitais, gestão para resultados, e com ganhos sequentes de produção, produtividade e qualidade. A pesquisa deve ser uma “janela aberta” para o mundo!
“Além disso, nessa panorâmica limitada, entre 2002 e 2018 o rebanho bovino brasileiro passou de 185,3 milhões de cabeças para 213,5 milhões (15,2%); e o de Minas Gerais, no mesmo período, de 20,6 milhões de cabeças para 21,8 milhões (4,8%), menor que a média nacional. Os três maiores rebanhos no País são; Mato Grosso (1º), com 30,1 milhões de cabeças; Goiás (2º), 22,6 milhões de cabeças; e Minas Gerais (3º lugar), com 21,8 milhões de cabeças.”
“Em 2018, segundo as mesmas fontes, a distribuição geográfica por região do rebanho bovino mineiro tinha essa configuração estadual; Triângulo Mineiro, com 16%; Sul de Minas, 12%; Central e Norte de Minas (10%); Jequitinhonha e Mucuri; Rio Doce; Centro-Oeste, todas com 9%; Alto Paranaíba e Zona da Mata, com 7%.
E mais, a distribuição regional de vacas ordenhadas tinha esse perfil estadual, aqui resumindo as principais; Sul de Minas, com 488 mil cabeças; Central, 415,3 mil; Alto Paranaíba, 362 mil; Rio Doce, 361,4 mil; Centro-Oeste, 314,4 mil; e Zona da Mata, com 309,6 mil cabeças.
“Em 2018, os maiores rebanhos de vacas ordenhadas por município estão nessa ordem; Patos de Minas, com 45,1 mil cabeças (1º lugar); Prata, 45 mil (2º lugar); e Unaí, com 39,8 mil cabeças (3º lugar). Entretanto, ressaltem-se que os três municípios com maior produção de leite são; Patos de Minas, com 192,9 milhões de litros anuais (1º lugar); Patrocínio, 148,4 milhões (2º lugar); e Coromandel, com 123 milhões de litros (3º lugar).
Esses três municípios estão no Alto Paranaíba, onde média regional por vaca/lactação/ano é de 4.243 litros, e a média estadual de 2.840 litros (média de 305 dias/ano/2018) ou 49,4% para mais. No Centro-Oeste é de 3.357 litros; e no Sul de Minas, 3.238 litros. Com relação à distribuição regional da produção de leite destacam-se; Sul de Minas, com 1,58 bilhão de litros, (1º lugar); Alto Paranaíba, 1,53 bilhão de litros (2º lugar); Central, 1,28 bilhão (3º lugar); e Centro-Oeste, com 1,05 bilhão, e a Zona da Mata produziu 768,3 milhões de litros de leite.
Também em 2018, o ranking da produção nacional de leite estava assim configurado; Minas Gerais, com 8,9 bilhões de litros (1º lugar) Rio Grande do Sul, 4,3 bilhões (2º lugar); e Goiás, com 3,0 bilhões de litros (3º lugar); somando 34,5% da produção nacional naquele ano de 2018, que atingiu 33,8 bilhões de litros” “Entre 2002 e 2018, a produção de leite no País passou de 21,6 bilhões de litros para 33,8 bilhões (56,4%); e a produção mineira evoluiu de 6,2 bilhões de litros de leite em 2002 para 8,9 bilhões em 2018 (43,5%); segundo dados reunidos pelo IBGE/PPM/Mdic/Bovinocultura de Leite e Corte/janeiro de 2020/Seapa, sendo as fontes básicas deste artigo sobre o leite.
O agronegócio do leite mineiro e nacional, com base nessa matéria-prima, se desdobra em bilhões de reais do campo à mesa do consumidor e nas exportações, oferecendo dezenas de produtos como o leite fluído, agro industrializado, bem como a exigir uma vigorosa logística operacional de vendas por vias internas para um público potencial de 211,1 milhões de brasileiros de todas as idades, dos quais 179,4 milhões vivem nas cidades e regiões metropolitanas (IBGE).
Segundo a Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais (Ocemg), em 2018, as 193 cooperativas agropecuárias somaram 169,7 mil cooperados; 15,7 mil trabalhadores formais; receberam 19,57% do leite produzido no Estado ou 1,75 bilhão de litros/ano, movimentaram R$ 20,7 bilhões; empregam ainda 697 profissionais para regular atendimento técnico aos produtores; responderam por 10,4% do PIB do agronegócio mineiro naquele ano; e representaram 38,6% da movimentação econômica de todos os segmentos do  cooperativismo mineiro em 2018.
Embora os dados ainda não estejam mais atualizados, havia 771 laticínios em Minas Gerais, sendo que essa era a distribuição mais importante: Sul de Minas, com 27,6%; Zona da Mata, com 17,9%; Central, 15,0%; e Centro-Oeste, com 9,8%, totalizando 50,3% (Silemg).Em 2019, as exportações de leite e lácteos foram de US$ 16,5 milhões, em nível estadual, e de US$ 57,4 milhões no Brasil (Seapa/Mdic).
Além disso e segundo o engenheiro agrônomo (MS) José Alberto de Ávila Pires, coordenador estadual de Bovinocultura da Emater-MG, “as inovações tecnológicas geradas pela pesquisa agropecuária e agregadas à produção de leite, compartilhadas com os produtores rurais, devem gerar ganhos genéticos, nutricionais e de manejo correto dos rebanhos, e no atendimento de novas demandas técnicas!
E mais, acelerando o processo de difusão de inovações no campo e associando-se como objetivos permanentes ganhos de produtividade, qualidade, com lucratividade, o que se configura num desempenho integrado e sinérgico entre produtores, pesquisadores, extensionistas, entidades de classe, cooperativas, sindicatos, e agro indústrias!
Ainda segundo Ávila, em 2019 o Brasil confinou 5,26 milhões de bois, sendo que os pecuaristas mineiros confinaram 550 mil. O PIB do agro brasileiro de jan/fev de 2020 cresce 2,42% ou R$ 42 bilhões, sendo a pecuária com R$ 27 bilhões e agrícola, R$ 15 bilhões (Cepea/USP).”
Em 2019, o superávit nas exportações do agronegócio brasileiro foi de US$ 83,02 bilhões (MAPA); um desempenho considerável! No 1º quadrimestre de 2020, o saldo apurado nas exportações do agronegócio mineiro foi de US$ 2,18 bilhões ou 48% do saldo da balança estadual (Seapa).
*Engºs agrºs José Alberto Ávila Pires (MS) e Benjamin Salles Duarte, maio 2020.
Nota histórica; em 1949, a antiga ACAR, à época dirigida por uma “Junta Administrativa” estabeleceu, entre outras prioridades na sua missão extensionista, a difusão de capineira para alimentação do gado na seca; no uso do silo-trincheira e plantio do milho híbrido. A ACAR/Emater-MG é parte indissociável da história da agropecuária mineira e do bem-estar social nas propriedades assistidas.
 


Fonte: O Autor



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